Quer ser o presidente do Banco Central por um dia?

Se você gostaria de testar suas habilidades como formador de política monetária num banco central, o blog Economia e Finanças Fáceis tem uma dica muito legal!

O FED de São Francisco, nos EUA, criou um simulador onde você pode definir a FED Funds Rate por um período de 4 anos, de acordo com as informações sobre o desempenho da economia, que o joguinho vai mostrando a cada trimestre (prepare-se: há surpresas pelo caminho). É muito divertido!…

Confira: clique aqui!

Se o leitor estiver curioso para saber se o Nepom dá resultado, meu desempenho não foi nada mal: terminei sendo reeleito para o cargo, com desemprego em 5,10% e inflação em 0,82%!

Slides da apresentação de 27/04/2009

Já está disponível para download o arquivo (em pdf) com os slides da última apresentação do Nepom (27/04/2009), na página “Histórico de Apresentações”.

Reunião de hoje

Como poderá o leitor verificar em nossos slides (breve), nosso modelo econométrico estima que o Banco Central, via Copom, deverá baixar a Selic em: (a) 1 a 1.5 p.p ou, (b) em alguma magnitude maior (eu não apostaria em uma queda maior que 2 p.p.). 

Conforme o cenário construído, as probabilidades de (a) ou (b) mudam, mas meu palpite fica em algo, no máximo, em torno de 1.5 p.p. 

Nossos espectadores de hoje têm o nosso agradecimento pela participação, atenção e perguntas. Nossos leitores, claro, também têm nossos agradecimentos. 

Ah sim, talvez valha a pena chamar a atenção para alguns pontos que me parecem importantes: (a) a falta de um estudo mais detalhado sobre os impactos do gasto do governo brasileiro sobre a economia (já citei isto antes e repito) e (b) a relativa pouca atenção da imprensa para os ativos tóxicos (falei sobre eles em um texto pequeno abaixo).

Há muito mais o que falar, mas deixemos isto para depois. O tempo, novamente, escasseou.

O Brasil que dá certo..de óculos

Sou muito grato ao Kanitz por nos citar. Mas ele precisa trocar as lentes dos óculos: o Nepom é o Núcleo de Estudos de Política Monetária do IBMEC Minas (ou do IBMEC MG), mas não “de Minas Gerais”. Aos leitores que chegaram até aqui por conta dele, nossas boas-vindas atrasadas.

O choque do petróleo

A crise mundial tem várias faces e uma delas é o preço do petróleo. James Hamilton, talvez o maior especialista no assunto, acha que o preço do petróleo tem muito a ver com a crise atual. Ao ler seu texto, novamente, vemos como uma carreira séria de pesquisa em economia é construída. O prof. Hamilton conseguiu manter sua linha de pesquisa ao longo do tempo, desde os anos 80. O tema? Sempre os choques do petróleo. 

Destaco o seguinte trecho:

One of the things I did in that paper was to examine a number of different models of the effects of oil prices on the economy that had been developed for earlier data, and look at what those models would have predicted to happen in 2007-08. My conclusion was that most of those models held up pretty well. Using any of the estimates surveyed, the oil shock of 2007-08 was big enough to have made a material negative contribution to real GDP over the period 2007:Q4 to 2008:Q3, and the details of what happened over that period are quite consistent with the predictions.

The reason that I think this is an interesting finding is that this period– 2007:Q4 to 2008:Q3– was when the U.S. entered recession #11. The fourth quarter of 2008 saw a very dramatic deterioration in all the economic indicators, but if you focus just on the first 12 months of the recession– 2007:Q4 to 2008:Q3– things wouldn’t have had to be much better before most analysts would have said that the economy was not even in a recession prior to 2008:Q4. For example, real GDP actually grew by 0.7% between 2007:Q3 and 2008:Q3.

Percebe, leitor? Agora, eu me pergunto sobre como terá sido este efeito em países como o Brasil ou a Venezuela, ambos sub-desenvolvidos (esqueçamos a piada de mau gosto que é o termo “emergente”), e com diferentes arranjos produtivos, claro, em torno do petróleo. Talvez meus colegas do Nepom queiram fazer um exercício simples. Deixo a eles a sugestão. O leitor que desejar me ajudar é bem-vindo na caixa de comentários.

Ativos tóxicos

O leilão reverso funciona no caso dos ativos tóxicos? Há evidências, graças à economia experimental. Cramton, especialista no tema, tem um impressionante acervo de estudos e depoimentos sobre o tema, aqui. Ah sim, Cramton é o prof. Cramton, economista.  

Uma sugestão interessante é fazer com que os administradores dos bancos – gente que geralmente faz o discurso do “salve-me porque o ativo é tóxico e tudo o que eu sabia de Finanças não valia nada, fui enganado pela teoria econômica” – ponha seu dinheiro no meio para fazer o leilão funcionar. O texto, do prof. Mark Thoma, é longo, mas vale a leitura.

Leilões são tão importantes que a última edição traduzida do livro de Microeconomia de Hal Varian (economista-chefe da Google) incluiu um capítulo sobre o assunto.

Ensinar economia, Economia e, claro, Nepom

“We teach the students that there’s a hierarchy of decision making,” he says. “One thing you can do is what’s always been done. The second thing is you could just think about whether what you’re doing is the right thing. The third step in the hierarchy is you could take the data you have and try to analyse it. But the problem is that it’s often not the right data. The fourth rung would be an accidental experiment. The fifth would be to go out and generate the idealised data you would like to have.”

Será que o Nepom dá oportunidade similar a seus membros? Creio que sim. Leia toda a matéria sobre o curso do Levitt aqui.