Uma breve análise sobre a crise

O ambiente externo tem se mostrado mais incerto desde a quebra de grandes bancos até considerados importantes pilares da economia mundial. Tais eventos foram conseqüências de uma crise de liquidez, que teve sua origem no sistema imobiliário dos EUA. O que até então era uma crise de confiança, tem sido repassada cada vez mais ao setor real da economia mundial, impulsionada pela deterioração das expectativas tanto empresariais quanto dos consumidores. A priori, o que tem sido percebido é uma menor utilização da capacidade produtiva a níveis globais da mesma forma como a retração do comercio internacional.

Como uma crise de liquidez afeta a economia de um país?

Inicialmente, uma crise de liquidez provoca uma queda na renda disponível dos agentes econômicos, pois a oferta de crédito é menor. Conseqüentemente, as famílias diminuem o consumo, bem como seus investimentos. Além do mais, o crédito escasso tem como efeito na atividade produtiva, maiores custos de financiamento, tanto no horizonte de curto quanto de longo prazo. Com isso, há uma redução tanto da demanda agregada quanto da oferta agregada, fazendo com que o PIB do país caia. Tal cenário parece ter se instalando na economia norte-americana, refletido no aumento da taxa de desemprego deste país em dezembro de 2008.

Como a crise afetaria as exportações do Brasil?

Com a possível entrada dos Estados Unidos em recessão, observa-se uma saída de capital estrangeiro do país, o que provoca uma depreciação do Real frente ao Dólar, o que torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional ao passo que desfavorece as importações (efeito câmbio). Outro efeito que deve ser considerado é o efeito renda – uma queda da renda dos países afetados pela crise reduz o consumo dos mesmos, e conseqüentemente os acentua a redução dos preços dos produtos no mercado internacional (principalmente das commodities, mais especificamente, o petróleo), assim como nossas exportações (menor demanda externa). Acredita-se que o efeito renda negativo é superior ao efeito câmbio. Ainda, na mesma direção deste efeito líquido, a dificuldade de financiamento externo acentua o cenário negativo de economias emergentes.

Como neutralizar tais efeitos?

Uma maneira de compensar esse efeito renda negativo seria a absorção das exportações pelo mercado interno. Todavia, para que esse mercado mantenha-se aquecido mesmo após a saída de investimentos estrangeiros e a uma contração do crédito, é preciso buscar formas de financiamento alternativas.

Uma forma de financiamento que o Banco Central tem controle direto é o aumento da oferta de moeda, que pode ser atingido basicamente de três maneiras: emissão de papel moeda, redução da taxa de reserva compulsória e a compra de títulos do governo pelo BACEN no mercado aberto.

A redução do compulsório busca justamente aumentar a liquidez interna e prevenir uma queda brusca na renda. O Banco Central também se comprometeu a financiar os exportadores com dólares, de modo a garantir a produção dos mesmos, já que o crédito internacional ficou mais escasso.

Quais os efeitos colaterais de tais medidas?

Durante esse período de instabilidade externa, o câmbio depreciou de maneira acentuada. O BACEN, ao vender dólares, faz com que as forças que pressionam o valor, em reais, do dólar para cima diminuam. Entretanto, tal ação não é suficiente para eliminar a depreciação cambial, ou seja, o valor do câmbio atual é superior ao inicial, fazendo que o pass-through cambial para os preços internos seja maior que anteriormente.

Com o aumento da oferta de moeda via redução do compulsório, a demanda interna possivelmente também irá aumentar, contribuindo assim para absorver o que era anteriormente exportado.

Dessa maneira, acreditar-se-ia que o principal efeito colateral da expansão da moeda seria o aumento da pressão inflacionária, ainda que esteja em níveis aceitáveis, o que poderia ser um entrave para a convergência da taxa de inflação para a meta em 2009. No entanto esse fato parece não ser tão preocupante dados os indicadores presentes, bem como o início de um processo de flexibilização da política monetária, com a redução da taxa básica de juros.

Obs: Texto originalmente escrito pela Christiane e posteriormente revisado pelos demais.

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