Hiato do produto esperado… Como construir essa variável?

Desde o meio do ano passado que professores sugerem a inclusão de uma variável que capturasse a expectativa do hiato do produto. Aparentemente, poderíamos utilizar a variável de expectativa de crescimento do PIB, que temos no Focus.

Mas analisando melhor a variável disponível no Focus, percebemos que isso não era viável. Em uma regressão, as variáveis explicativas devem ser independentes e assim conhecer sua distribuição marginal, e nós não conhecemos esta. A distribuição da expectativa do crescimento do PIB que temos é a distribuição condicional, e está não é igual à distribuição marginal, uma vez que a expectativa do crescimento do PIB depende do tempo.

Pensa bem, em janeiro, suponha que a expectativa de crescimento do PIB seja 4%. Passados 4 meses, a expectativa do crescimento do PIB passa a ser 3.5%, mas nesse período já se conhece o crescimento do PIB no primeiro trimestre, ou seja, sua expectativa é condicionada ao que já se observou duranto o ano. Isso é um problema, já que a hipótese de Random Walk não faz muito sentido. O ideal seria construir uma variável para expectativa de crescimento do PIB para os próximos 12 meses.

Quando expus isso no meu blog, começei um diálogo com o Ângelo(olha os comentários desse post) e ele me deu algumas boas dicas.

Estava pensando em utilizar a regra de Taylor de uma maneira diferente. Primeiramente a estimaria para conhecer os pesos dados ao hiato do produto e à distância da meta de inflação.  A partir dos parâmetros estimados, utilizando a taxa de juros do mercado futuro (12 meses), juntamente com a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, “inverteria” a regra de Taylor para ter uma estimativa do hiato esperado.

Ângelo me convenceu que essa não seria uma boa idéia, uma vez dos problemas de viés dos estimadores (olha o último comentário desse post).

Além disso, ele sugeriu que utilizásemos um modelo para o hiato do produto que combinasse componentes autoregressivos, média móvel e alguns determinantes da demanda agregada, ou seja, um modelo de Função de Transferência. 

Acho que é isso que vou fazer. Por enquanto é a melhor alternativa que temos. Obrigado Ângelo.

Alguma outra sugestão?

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