A elevação na taxa de desemprego

Ontem, Dia 28/04/15, foi anunciada a taxa de desemprego do mês de Março 6,2%, pior resultado desde maio de 2001, sendo que esta taxa tem aumentado desde o fim do ano passado, juntamente com o saldo de geração de emprego que apresentou nos últimos três meses anunciados um resultado negativo, algo que não acontecia desde novembro de 2008 (ainda não foi anunciado os valores de março), trazendo assim, um resultado ruim a respeito do atual mercado de trabalho brasileiro.

A taxa de desemprego é obtida pela razão entre população desocupada e população economicamente ativa. Segundo o IBGE, a população desocupada corresponde as pessoas que não estão trabalhando mas procuram emprego e a população economicamente ativa é composta pelas pessoas desocupadas e as pessoas ocupadas.

A PEA tem reduzido, o que indica que está havendo saída de pessoas do mercado de trabalho, é importante notar que a redução da PEA pode provoca um aumento na taxa de desemprego, pois numa população menor em atividade no mercado de trabalho há o mesmo número de pessoas procurando emprego, a razão entre as duas  populações aumenta. Analisando resultados da PEA de Janeiro/2011 a Fevereiro/2015 obtive uma correlação negativa de 0,4931, mostrando que a PEA e a taxa de desemprego caminham em direções opostas. PEA Desemprego

O saldo de geração de emprego como apresentado no início do texto, tem apresentado resultados muito ruins para o mercado de trabalho, um reflexo daquilo que tem acontecido com nossa Atividade econômica, produção em baixa, utilização da capacidade instalada sendo uma das piores desde de 2009, queda na confiança do empresário industrial e etc. Analisando o saldo da geração de emprego de janeiro/2011 a fevereiro/2015, obtive uma correlação positiva de 0,6742, mostrando que o saldo da geração de emprego e a taxa de desemprego caminham na mesma direção.Saldo Desemprego

Os motivos para as atuais taxas de desemprego são: a redução da população economicamente ativa; o aumento dos desocupados, causado pelas pessoas que foram demitidas em dezembro e que voltam a procurar emprego, e os saldos negativos na geração de empregos, que possivelmente continuará devido contração que estamos passando na nossa atividade econômica.

Referências:

Dados recolhidos no Ipeadata: http://www.ipeadata.gov.br/ <Ultimo acesso em: 29/04/2015>

Apresentação

20150428_171121

O novo grupo apresentou hoje, com a supervisão de Maria Rennó (extrema direita, na foto acima). Desta vez não colocaremos os slides aqui porque é preciso fazer vários ajustes para aperfeiçoar o material.

Vários professores – Sérgio, Reginaldo e Márcio – prestigiaram o grupo, o que é sempre importante. Por que? Porque professores podem corrigir falhas, apontar problemas, sugerir mudanças e sempre nos fazer ver que as coisas podem ser feitas de forma distinta (e melhor, claro).

Passada a primeira apresentação do semestre, vejamos como evoluirá o grupo ao longo do tempo.

Não é que vai ter Disney esse ano?

Desde Abril de 2006, o Brasil apresenta sucessivos déficits em relação as suas receitas e despesas cambiais turísticas. Ou seja, desde então mais dinheiro é gasto externamente do que é gasto internamente quando o assunto é turismo. Como é possível identificar na tabela da figura 1, nos últimos anos esse déficit persiste:

Mês Receita e despesa cambial turística (milhões US$)
2013 2014 2015
Receita Despesa Déficit Receita Despesa Déficit Receita Despesa Déficit
Total 6.711 25.342 -18.631 6.914 25.608 -18.694 555 2.207 -1.652
Janeiro 696 2.299 -1.603 643 2.120 -1.477 555 2.207 -1.652
Fevereiro 624 1.862 -1.238 592 1.915 -1.323
Março 599 1.882 -1.283 535 1.838 -1.302
Abril 585 2.116 -1.530 547 2.344 -1.797
Maio 522 2.241 -1.719 531 2.266 -1.735
Junho 453 1.928 -1.475 797 2.001 -1.204
Julho 540 2.214 -1.674 789 2.415 -1.625
Agosto 517 2.227 -1.710 499 2.354 -1.855
Setembro 505 2.168 -1.663 493 2.387 -1.894
Outubro 533 2.314 -1.780 488 2.124 -1.637
Novembro 556 1.874 -1.318 475 1.720 -1.245
Dezembro 579 2.217 -1.638 524 2.124 -1.600

Fonte:http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/estatisticas_indicadores/receita_cambial/downloads_receita/Receita_e_Despesa_Turistica_Cambial_-_Serie_Histxrica_-_Ano_Mes_-_1990-Jan2015.pdf
Figura 1

Outro fato também persistente era, até mês passado (março), o dólar adquirindo grande valorização em relação ao real. Agora esse já não é mais o cenário atual do dólar, desde que houve uma queda na crença de que o Fed (Federal Reserve) pretende aumentar as taxas de juros no país, porém essa queda atual do dólar não é foco deste texto.

Uma vez que só existem dados sobre as receitas e despesas cambiais turísticas até o mês de janeiro de 2015, só é interessante analisar a média do dólar até esse período. No gráfico da figura 2 é possível ver esse constante aumento do dólar nos últimos meses:

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Figura 2

Ao calcular a correlação entre o déficit turístico e a cotação do dólar encontramos um valor positivo correspondente a 0,4915. O que indica que os conjuntos de dados caminham em um mesmo sentido.

Analisando através do senso comum, seria razoável imaginar que com os aumentos no preço do dólar o déficit cairia, já que existe uma desvantagem cambial que torna as viagens para o exterior mais caras que o de costume. Esse, porém, não é o cenário encontrado, o que não nos possibilita confirmar a hipótese.

Referências:

http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/dadosefatos/estatisticas_indicadores/receita_cambial/ Acesso em: 21 de abril de 2015

http://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos/?historico Acesso em: 21 de abril de 2015

http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/estatisticas_indicadores/receita_cambial/downloads_receita/Receita_e_Despesa_Turistica_Cambial_-_Serie_Histxrica_-_Ano_Mes_-_1990-Jan2015.pdf Figura 1: Acesso em: 21 de abril de 2015

Superávit Fiscal Estrutural: obrigado pelo bem público, pessoal do Itaú!

O ex-aluno do Nepom, Fabiano, deu a dica do Itaú e vejam só que interessante. Como já falei, é só procurar que acha. Ajuda se você não fica parado esperando o mundo girar em torno de sua barriguinha, né?

Agora, o que fazer com esta série? Fica para os alunos do Nepom a tarefa de responder esta pergunta.

Cestas de bens: pensando um pouco além do problema básico…aprendendo com ele…

Seu professor de Microeconomia (não sou mais eu, já me esqueci de tudo…) já deve ter falado de cestas de bens. Conceito básico, né?

No modelo mais simples, este, do livro-texto, o consumidor vai lá, pega a sacola dele, coloca quantidades de dois bens e vai para o caixa. Realmente simples, não? Mas aí vem o segundo tempo: a análise que o empresário faz desta compra.

Primeiro, vamos nos lembrar que o consumidor geralmente compra mais de dois bens. Nem sempre, mas, ao longo de uma semana (ou mesmo de um único dia), você, consumidor, terá comprado mais de dois bens. Com certeza. Aí, o empreendedor, este que tem a função social (no dizer de Alchian) de prever demandas para fornecer produtos, fica todo animado: será que consigo aprender algo com estas compras?

É neste ponto da história que entra a análise quantitativa do comportamento do consumidor. Coletam-se dados e dados e paga-se algum consultor (ou um funcionário bom, tecnicamente falando) para buscar padrões. Por exemplo: será que X e Y, que fulano comprou hoje, são sempre comprados aos pares?

Boa pergunta, não?

Ainda bem que existe o R (o pacote estatístico) e os estudiosos do ramo para fazerem isto por um custo mais baixo (do que se você usasse um pacote estatístico igualmente poderoso, mas pago, se é que existe algum).

Já disse e vou repetir: você pode até tentar se formar sem entender correlação, regressão ou teste de hipóteses. Mas você não vai conseguir. É interessante demais para você ignorar. Claro que é chato, tem que estudar, mas assim é que se começam as boas análises de mercado, né não?

Bom, mas não o suficiente 

Após fechar o mês de Fevereiro com o pior resultado da série, um déficit comercial de US$2,84 bilhões, a balança comercial brasileira apresentou, em Março, o primeiro superávit do ano.

O saldo da balança comercial faz parte do saldo de Transações Correntes e, nos mostra se em determinado período ocorreu déficit ou superávit, ou seja, se o o governo importou mais do que exportou ou vice-e-versa.

No mês de Março, as exportações superaram as importações em US$ 458 milhões segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (Mdic). O gráfico abaixo nos mostra a variação da balança comercial nos últimos quarto meses.

Figura 1. Balança Comercial

Balança comercial

Fonte:  <http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/04/balanca-comercial-registra-em-marco-primeiro-superavit-mensal-de-2015.html&gt;

As duas últimas semanas do mês de Março foram determinantes para o saldo positivo da balança comercial do mês, uma vez que fecharam com superávit de US$342 milhões e US$ 389 milhões respectivamente. O que pode ter impulsionado as contas a ficarem no azul é a queda na importação de todos os produtos – o recuo foi de quase US$ 1 bilhão em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo o presidente da Associacão de Comercio Exterior do Brasil (AEB), ainda é cedo para afirmar que o superávi fiscal tenha sido consequencia da desvalorização do real perante o dólar. Esse fato, ainda segundo o presidente, só deverá ocorrer a partir do final do segundo semestre do ano.

Uma evidência favorável à hipótese do presidente da AEB, é o resultado da correlação entre a média mensal do câmbio e o saldo da balança comercial no período de Janeiro de 2010 a Fevereiro de 2015. Os dados da média mensal do câmbio são do banco de dados do IBGE e os dados da balança comercial estão disponíveis no site do Banco Central. Foi escolhido usar a medida de correlação porque o seu resultado mostra se há uma relação forte de depêndencia entre as variáveis analisadas. No caso, a correlação entre nossas variáveis é de -0.561439204. Esse resultado, por ser um número negativo, indica que o dados analisados movem-se em direções opostas.

Então, pode-se concluir, que apenas o bom desempenho em Março não é o suficiente para equilibrar as contas públicas e que depender somente da desvalorização do real não é uma saída. Além disso, o saldo acumulativo de doze meses apresentou um deficit de US$ 3,515 bilhões, o pior resultado desde 1999. Atrelado a isso, a fraca atividade economica e os altos gastos do governo são fatores que contribuem para a falta de credibilidade do mercado em relação ao governo. E, uma evidência desse fato é a pequena estimativa para o superávit primário deste ano, 0,9% do PIB,e a projeção de retração do PIB em 1,01%. (Dados do IBGE)

Bibliografia

Conceição, Ana. Mercado aumenta previsão de inflação em 2015 para 8,02%. Disponível em:< http://www.valor.com.br/brasil/3992708/mercado-aumenta-previsao-de-inflacao-em-2015-para-820&gt; . Acesso em: 6 de Abril 2015

Martello, Alexandro. Balança comercial registra em março primeiro superávit mensal de 2015. Disponível em: < http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/04/balanca-comercial-registra-em-marco-primeiro-superavit-mensal-de-2015.html&gt; . Acesso em: 6 de Abril 2015

Rosa, Silvia. Fluxo cambial é positive em USS$ 428 milhões na semana passada. Disponível em: <http://www.valor.com.br/financas/3988178/fluxo-cambial-e-positivo-em-us-428-milhoes-na-semana-passada&gt;. Acesso em: 6 de Abril 2015

Marchesini, Lucas. Balança comercial tem em março primeiro superávit mensal de 2015. Disponível em: < http://www.valor.com.br/brasil/3988460/balanca-comercial-tem-em-marco-primeiro-superavit-mensal-de-2015 >. Acesso em: 6 de Abril de 2015