Pai, eu quero uma máquina de dinheiro!

Acredito eu, que a maioria da população desejaria ter uma máquina de dinheiro, seria muito fácil de resolvermos os problemas do mundo, se a criação de moeda deixasse tudo mais constante nas outras variáveis econômicas. Mas estudando Ciências Econômicas eu aprendi que não existe almoço grátis, a economia é repleta de trade-offs. O exemplo que eu quero citar é o da Alemanha no período de 1914-1923.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo alemão resolveu incentivar a produção do país, pois a produção em diversos setores estava caindo, assim o governo resolveu emprestar dinheiro cobrando 5% de juros, taxa muito baixa à época, diferentemente de como é emitida cédulas de dinheiro hoje no mercado (compra de títulos), naquele período o governo apenas fabricava as notas e lançava-as no mercado em forma de empréstimo. A redução da taxa de juros para 5% e a emissão de cédulas, provocou um aumento de 4 vezes na oferta de moeda na economia, no período de 1914-1918.

Em um curto período de tempo, uma taxa de juros baixa incentiva o aumento do investimento o que acarreta um aumento no produto, mas no médio prazo o produto volta para o nível natural mas com o agravante do aumento no nível de preço (Inflação). Também houve outro agravante, mudanças fortes no câmbio Marco-Dólar. Com a grande quantidade de moeda alemã sendo impressa e colocada no mercado, o Marco começou a desvalorizar, em Julho de 1914, $1,00 Dólar equivalia cerca de $4,2 Marcos; em Janeiro de 1919, $1 equivalia a $8,9 Marcos, ocasionando assim um aumento na demanda por produtos alemães, pois estes produtos estavam se tornando mais baratos para aqueles que detinham a moeda do dólar, aumentando ainda mais o preço e agravando o problema da inflação.

Com o fim da guerra a Alemanha foi punida no Tratado de Versalhes, criando uma pesada dívida externa, tudo isso agravou muito a situação alemã, que continuava a imprimir e imprimir papel moeda como tentativa de emprestar dinheiro aos setores de sua economia. No final de 1923, o governo alemão já tinha emitido cerca de 496,5 quintilhões de marcos ³ , o dólar americano estava valendo 4,2 Trilhões de Marcos, a inflação mensal era de 322% ¹ e a Taxa de emissão de Moeda mensal era de 314% ¹.

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Variação dos preços de determinados produtos no período do ano de 1923, em Marcos. Fonte: link na referencia bibliográfica ², pág. 56.

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Cotação do Dólar (US$1,00), Fonte: link na referencia bibliográfica ², pág. 54.

Estudando os efeitos do crescimento da moeda vemos que, a diferença da taxa de crescimento da moeda (gM) em relação a taxa de crescimento do país (gY) é igual a Inflação. Não adianta injetar moeda na economia de forma desajustada, uma forma segura de “criar dinheiro” para a economia sem interferir as outras variáveis é fazendo com que a oferta por moeda seja igual a demanda por moeda, caso contrário, sempre haverá consequência. Não precisamos de uma máquina de dinheiro, precisamos de um aumento na nossa produtividade.

¹ Philip Cagan, “The monetary dynamics of hyperinflation”, em Milton Friedman, org., Studies in the quantity theory of money, Chicago, University of Chicago Press, 1956, Tabela 1.

²Link dos Dados, pag. 5

³ Costantino Bresciani-Turroni, The Economics of Inflation (Terceira impressão, Nova York: Augustus M. Kelley, 1968), p. 440.

Interpretando indicadores de conjuntura

Paulo Gala é um economista da FGV-SP. Neste vídeo ele faz um ótimo trabalho para quem gosta de análise de conjuntura. Gente que esteve no Nepom foi treinada para tentar fazer apresentações como esta.

Os candidatos potenciais e os nossos leitores tradicionais vão gostar. São 20 minutos, mais ou menos. Menos tempo do que o que você gasta na balada de sábado, né?

Teoria dos Jogos e a Grécia

Agora fiquei sabendo que o homem forte da economia grega atual é um especialista em teoria dos jogos (aqui e aqui). Pesquisando um pouco, vi que, sim, é verdade que ele tem uma boa formação teórica (aqui) e, claro, ele tem um blog.

Alunos que já aprendem Teoria dos Jogos sabem disso? Bem, eu não. Fica aí a dica para vocês.

Radicalismos e um trade-off

Neste interessante livro encontrei algumas idéias interessantes que um aluno de Microeconomia (a melhor disciplina do mundo, mas eu a lecionei por quase 20 anos com altíssimos custos pessoais…agora não mais (por enquanto)).

Em questão, trata-se do caso de como aprisionar terroristas: em um único local ou espalhados? Os autores mostram que existe um trade-off interessante. Digamos que sejam todos confinados, primeiramente, a uma única prisão. Neste caso, afirmam os autores, temos que lidar com o fato de que, como muitas prisões são feitas de forma errônea, junta-se, no mesmo local, terroristas e outros que talvez ainda não sejam assim tão terroristas ou convictos da ideologia. Assim, o perigo é contaminá-los: mesmo que o advogado consiga tirar o sujeito após algum tempo, ele poderá ter se transformado em um perigoso terrorista.

A opção, então, seria espalhar os terroristas por prisões separadas. Neste caso, dizem os autores, o problema é que se o governo quiser negociar um acordo com o grupo, terá mais dificuldade (Coase diria: os custos de transação politicos são maiores quando o grupo é disperso).

Aliás, os autores iniciam a discussão citando Warren Buffett, fazendo o paralelo entre espalhar terroristas capturados entre várias prisões com os investimentos em vários ativos em contraposição ao que seria a estratégia do famoso milionário (salvo engano…ou não li direito?).

Honestamente? Achei o argumento do custo de colocar terroristas em prisões distintas menos convincente do que o custo de se colocá-los todos juntos. Em outras palavras, você pode espalhar os terroristas e, obviamente, tentar identificar os líderes (isto se já não sabe disto antes). Assim, ao abrir eventuais negociações, você já sabe onde encontrá-lo.

Sim, o livro é interessante, mas não é de Economia não, ok? Serve para conhecer mais sobre os radicais russos e como ocorreu o processo de radicalização do movimento estudantil na era final dos czares.

Demanda por (auto-)burrice

Eu sei que você acha que ninguém seria capaz de querer ser menos inteligente. Você acha que aquele seu colega que não estuda não demandaria menos inteligência porque, afinal, você acha que é “racional” buscar ser mais craque, não é?

Mas a racionalidade do indivíduo é um conceito que não depende de valores morais. Acha que não? Então veja esta dona que deseja, desesperadamente, ficar mais burra. Note que faz todo sentido do mundo, não faz? Qual é o mercado dela? Quanto ela ganha por ser a cara (ela é?) da bonequinha Barbie?

Obviamente, uma boa pergunta diz respeito ao preço deste tratamento. Afinal, nem todo mundo procura ser burro de forma tão sistemática e explícita. Suspeito que a fama dela ainda aumente o preço das sessões.

Claro, outra pergunta é se isto funciona. Espero que você não seja voluntário para um teste, neste caso.

Processo Seletivo – Anúncio

NEPOM – Núcleo de Estudos em Política Monetária

Processo seletivo

O Nepom tem como objetivo complementar a formação teórica do aluno com a prática da análise econômica, especificamente, a assim chamada análise de conjuntura. Para tanto, é necessário que o estudante cumpra alguns pré-requisitos:

Pré-requisitos gerais

  • Estar constantemente conectado com os fatos (não apenas econômicos),
  • Ter a iniciativa própria para estudar tópicos inéditos (e também reestudar os já aprendidos no curso) e também para usar/aprender vários programas computacionais ao mesmo tempo (Eviews, R, Microsoft Excel, Microsoft Word, LaTex, Stata, dentre outros),
  • Ser um aluno de comportamento ético exemplar.
  • Ter habilidade de leitura com língua inglesa.
  • Ser correto com o cumprimento de prazos.

Pré-requisitos burocráticos (apresentar documentação para os dois primeiros itens no dia do processo seletivo)

  • Ser aluno matriculado no curso de Ciências Econômicas,
  • Não ter recebido advertências escritas por parte da Coordenação,
  • Obter um desempenho aceitável no processo seletivo.

Datas importantes:

Inscrição para o processo seletivo: por envio de mensagem eletrônica até o meio-dia de 13/02/2015 (claudiods@ibmecmg.br).

Participação no processo seletivo: 24/02/2015, às 14:00 horas em local a ser definido.

Participação nas tarefas extras: Desde Dez/2014, o endereço do Nepom (https://nepom.wordpress.com) no Facebook vem sendo ocupado com diversas tarefas extras. Embora não seja obrigatória, a não-participação sinaliza desinteresse e/ou desatenção com as atividades do grupo. As tarefas ajudam a aprimorar a capacidade analítica do candidato e não devem ser desprezadas.