Todo bem homogêneo deixará de sê-lo um dia…?

Não me lembro onde li – mas é algo até de senso comum – que o sonho do empresário em competição perfeita é pular fora dela rapidinho. Basta ver os cachorros-quentes em porta de faculdade. Quanto maior a competição, mais os vendedores tentam inventar diferenciações para o sanduíche.

Agora, o mais legal é pensar no papel higiênico. Com o aumento da renda, a demanda aumenta, mas os vendedores também percebem que podem diverificar e vender um produto diferente do anterior (ou seja, cria-se uma segmentação de mercado).

Mais sobre papel higiênico aqui.

Nepom em Férias

Caros leitores, vamos iniciar um novo processo seletivo no Nepom em breve. Com a chegada da semana de provas e também com o final do semestre, veio a hora de fechar para balanço e liberar o grupo de suas responsabilidades.

Agradeço a todos os que, nesta última formação, ajudaram na manutenção das atividades do grupo – o que inclui ete blog – e desejo a todos boa sorte.

Não fique triste, leitor. Voltamos em breve.

Eventualmente eu, ou o Pedro, publicaremos algo por aqui até o início do ano que vem.

Desejamos a todos um Feliz Natal e um Próspero 2015.

Bem público, trabalho em equipe…tudo isto em dois minutos

Para entender o vídeo sob a ótica dos economistas, leia isto. Sério. Lá no texto eu explico o incentivo. Repare que, em todas as situações acima, ou os bichos cooperam ou morrem. Ou seja, o prêmio é do tipo “tudo ou nada”. Agora, vai lá, lê o meu texto e depois pense no que viu no vídeo engraçadinho aí.

Aliás, parabéns aos autores das animações.

Um país em estagnação

Em um cenário pós eleitoral, é extremamente importante analisar a situação econômica do Brasil. Isto porque o governo que comandará o país por mais 4 anos terá uma difícil missão pela frente, visto que herdou um país com alta inflação, baixo crescimento do PIB e falta de credibilidade internacional. Por isso, terá que fazer a política econômica da melhor forma possível, a fim de recuperar a confiança do estrangeiro, e de reestabelecer o crescimento brasileiro.

Porém, analisando as políticas feitas pelo governo de Dilma em seu primeiro mandato, é possível ver algumas incoerências na forma de fazer política econômica.

Por exemplo, países que estão com inflação alta e saindo do controle devem fazer políticas que “acalmem” a sua economia, reduzindo a demanda por produtos e evitando a pressão dos preços para cima. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de cortes de gastos do governo, aumento de juros através de política monetária e até com redução de crédito.

O Brasil é um desses países que vem tendo um crescimento excessivo do nível de preços da sua cesta de consumo, mas que não vem sendo comandado por uma equipe econômica que age de forma coerente a fim de combater essa alta.

Como foi citado anteriormente, o principal instrumento do governo para conter a inflação é desincentivar a demanda. Porém, nosso governo não vem fazendo isto de forma eficaz. Cortar gastos, que seria uma das maneiras mais eficientes, tem sido adiado. É fácil ver isso por uma variável chamada de superávit fiscal. Esta representa a diferença entre a receita obtida pelo governo e seus gastos, e tem ficado bem longe da meta estabelecida. No ano de 2014 o valor do superávit fiscal que o governo deveria atingir era de aproximadamente de 49 bilhões de reais, e até agora o superávit não chegou nem perto disso. O governo federal precisa fazer um superávit primário de aproximadamente R$ 48 bilhões de novembro a dezembro para cumprir a meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para este ano. Isto significa que o governo deveria poupar em 3 meses praticamente tudo o que não poupou ao longo do ano. Ou seja, economizar nos gastos não é algo praticado pelo governo atual.

Já a segunda opção dada para a redução dos preços é por meio do aumento de juros, e isso vem sendo feito com certa frequência pelo Banco Central brasileiro, que mantêm a SELIC em 11.25 % atualmente. Porém, taxas de juros tão altas quanto a brasileira, apesar de ter como principal papel a redução da inflação, também contribui negativamente para o país em determinados aspectos. Dificulta o crescimento da economia, deixa a dívida interna brasileira ainda maior e desincentiva a indústria a fazerem novos investimentos. Portanto, é importante lembrar que quando a decisão do governo é de aumentar os juros, isto deve ser feito buscando a maior eficácia possível no combate à inflação, para que gere o menor custo possível para a economia em geral, porque enquanto isso outras variáveis macroeconômicas estão sendo prejudicadas.

Entretanto, mais uma vez, a eficácia dos juros altos no combate a altos preços não vem tendo o resultado esperado. Isso porque ao mesmo tempo que o Banco Central aumenta a SELIC para reduzir o consumo ele libera crédito na economia, incentivando fortemente a demanda por produtos, o que força os preços para cima. Logo, são políticas com objetivos opostos realizadas simultaneamente. Este é um dos grandes motivos pelo qual, mesmo com juros extremamente grandes a inflação brasileira se mantem acima do teto da meta de 6,5% ao ano. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$2.901 bilhões em setembro, com crescimentos de 1,3% no mês e de 11,7% em doze meses, valores relevantes em um momento em que o crédito deveria ser desincentivado.

Por meio de dados divulgados pelo IBGE (de 1995 até o segundo trimestre de 2014), podemos fazer algumas análises estatísticas entre algumas variáveis macroeconômicas.

Primeiramente analisei a correlação (medida estatística do grau relação entre 2 variáveis) entre PIB e gastos do governo. É importante lembrar que valores mais próximos de 1 significam forte relação positiva entre as variáveis, valores mais próximos de menos 1 mostram relação negativa entre as variáveis e quanto mais próximo de zero menos dependentes as variáveis são.

O valor obtido para a relação entre gastos públicos e PIB foi de 0,94, o que mostra uma dependência positiva fortíssima entre elas. Considerando que o Brasil já está próximo do seu nível de pleno emprego, aumento dos gastos então causaria forte impacto no aumento da inflação. Sendo então inconsistente que o governo faça este tipo de política fiscal expansionista em meio ao cenário atual.

Também analisei a correlação entre juros e inflação, mantendo tudo o mais constante, e o valor obtido foi de -0,91, o que relata alto grau de relação entre as variáveis, porém negativo. Ou seja, aumentos de juros, ceteris paribus, deveria ter um bom efeito na redução dos preços.

Contudo, aumento de crédito e inflação tem uma relação positiva de 0,70. Isso mostra que quanto mais credito é liberado na economia, mais os preços tendem a subir. Logo, este conjunto de medidas atuais acabam sendo contraditórias e inibindo o principal motivo pelo qual o Brasil escolhe ter juros tão altos: o combate à inflação.

A economia de um país é repleta de tradeoff, pois cada medida beneficia um lado mas prejudica outro. Por isso, o mais correto é que o que for feito gere o menor custo possível para a sociedade, e o maior benefício. Porém, não é isso que tem ocorrido. Portanto, nestes próximos 4 anos é necessário repensar algumas decisões tomadas pelos órgãos do governo, pois só assim o país conseguira reestabelecer uma política de confiança e credibilidade.

KIMAGEM

Oferta e Demanda para alunos que mal começaram: leite, manteiga e bolos de Natal no Japão

Simples assim. Em resumo (se é que é possível resumir mais ainda): o calor afetou a produção de leite e manteiga no Japão, aumetando-os. Por que?

Além disso, o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão também atribuiu a falta de leite no mercado à diminuição do rendimento das vacas leiteiras por causa do calor intenso deste ano. Sem leite, a produção de manteiga também diminuiu e isso acarretou um aumento nos preços.

Fácil, né? Aí você me pergunta: o que fazer? Ora, numa economia – realmente – aberta, basta importar. Mas, claro, nem sempre isso adianta porque a demanda é sazonal.

O governo japonês tentou contornar a situação e evitar o aumento excessivo dos preços importando manteiga de outros países. Porém, esta medida não tem sido suficiente, principalmente nesta época do ano em que a produção de bolos de natal (saiba mais sobre os bolos de natal do Japão, na Hashitag), crescem consideravelmente.

Notaram? Mesmo que a curva de oferta se desloque para a direita e para baixo, o problema é que a demanda, nesta época do ano, vai para a direita e para cima. Logo, qual será o impacto sobre o preço e a quantidade de equilíbrio? Não sabemos (mais sobre o problema aqui).

Um ponto importante é que você, leitor(a) perceba a importância da sazonalidade, que, na verdade, pode causar deslocamentos na curva de demanda mais previsíveis do que aleatórias. Mais ainda, diferentes sazonalidades podem afetar – também diferentemente – ambas as curvas. Aliás, é o que você vê nesta matéria pois o verão é sazonal tal e qual o Natal. Obviamente, a sobreposição dos ciclos sazonais é uma das chaves para se entender o destino do preço e também o da quantidade de equilíbrio.

Gostou? Caso tenha respondido positivamente, então você também gosta de Ciências Econômicas. Faça uma boa escolha no Vestibular. ^_^

Uma análise do Copom

Não é difícil. É só ter vontade. Parabéns ao pessoal do Terraço Econômico pelo texto. Fico feliz de ver o pessoal fazendo análises interessantes, caprichadas (notem os gráficos levemente trabalhados, amigáveis, coisa de gente que se preocupa com o que escreve) do texto.

Ah, o podcast deles com a Mônica de Bolle ficou bom também.

Outra aula rápida de estatística (ou econometria, como queiram)

Colinearidade no vetor de variáveis independentes tem que tipo de efeito sobre a regressão? Ora, a melhor forma de se descobrir é você mesmo simular os dados. Melhor do que apenas ouvir o professor passivamente, tirar fotos do quadro tentando se auto-enganar ou fazendo cópia do caderno do colega sem pensar.

Assim, este blogueiro fez o trabalho. Advinhe o que ele descobriu?

Gostou? Agora tente entender outros aspectos da multicolinearidade aqui e aqui.

O investimento na atual conjuntura brasileira

A partir da análise do nível de investimento de determinado país é possível avaliar sua capacidade de manter um desenvolvimento econômico sustentável no longo prazo, uma vez que a ausência de investimentos impossibilita o aumento da capacidade produtiva, limitando a eficiência e a competitividade de uma economia.

Sendo assim, esclarecida a importância desse componente do PIB para a economia, apresentarei aqui, primeiramente, uma estimativa simplificada de uma possível função de investimento para o Brasil e, posteriormente, alguns dados e análises sobre a atual trajetória de tal variável em nosso país.

Um dos modelos macroeconômicos propostos para se analisar o investimento considera que este agregado seria função de duas variáveis independentes: o nível de produto e a taxa de juros. De acordo com tal proposição, essa primeira variável teria uma influência positiva no investimento, visto que quando os empresários se defrontam com um maior nível de vendas, será preciso investir na compra de máquinas e equipamentos e no aumento da capacidade produtiva. A taxa de juros, por sua vez, estaria negativamente relacionada ao nível de investimento, pois taxas mais elevadas tornariam mais onerosos e menos atraentes eventuais empréstimos necessários para se adquirir bens de capital.

Na prática, o principal indicador de investimento do país é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que está relacionada à compra de máquinas e equipamentos, indicando os movimentos de investimentos produtivos. Dessa forma, a partir de dados sobre PIB e FBCF de 1996 até 2014 publicados nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, juntamente com valores também trimestrais da taxa Selic foi estimada por meio de uma regressão linear múltipla, a seguinte função investimento para o Brasil:

I = -98,99 +1,98Y -1,14i

sendo que I indica o investimento (representado pela FBCF), Y o PIB e i a taxa de juros Selic.

A função obtida aparentemente confirma o modelo teórico, visto que sugere que aumentos no PIB e/ou reduções na taxa de juros seriam alterações com efeitos benéficos ao nível de investimento. O valor do R² obtido na regressão foi de aproximadamente 0.64, indicando que 64% das variações no investimento observadas são provenientes de mudanças no produto e na taxa de juros.  Maiores detalhes obtidos com a regressão, que possibilitam algumas outras conclusões, são apresentados na tabela abaixo.

primeira tabela

Ao se perceber o resultado obtido para o p-valor no caso da taxa Selic, é possível concluir que ao nível de confiança de 95% a hipótese de que o coeficiente da taxa de juros é estatisticamente igual a zero não é rejeitada, o que indicaria uma grande probabilidade dessa variável independente não influenciar o investimento da forma prevista pelo modelo teórico. Uma possível explicação para isso seria o fato da taxa de juros apresentar consequências de longo prazo no nível de investimento, e não efeitos instantâneos.

Passando a analisar o nível de investimento no Brasil, ressalta-se que, atualmente, ao se comparar valores da FBCF em percentual do PIB de diversos países, o país se encontra bem abaixo da média mundial. E a queda acentuada e contínua de investimentos é destaque negativo no PIB brasileiro.

Pela observação dos dados da tabela abaixo é possível notar que a queda da Formação Bruta de Capital Fixa foi bem relevante em relação ao mesmo trimestre de 2013, atingindo o patamar de -11,2%. Constata-se, ainda, que o resultado negativo do PIB que vem sido observado atualmente foi influenciado pela queda de 5,3% da FBCF frente ao trimestre anterior. Com isso, o acumulado em 12 meses ficou negativo em 0,7%.

segunda tabelaFonte: IBGE

Ainda de acordo com publicações do IBGE, a taxa de investimento na economia brasileira continua baixa e em retração, sendo que neste segundo trimestre de 2014 foi de apenas 16,5% do PIB, nível considerado insuficiente para retomar uma nova fase de expansão econômica sustentada.

Um fator explicativo do problema com o investimento é a taxa de poupança insuficiente, que no segundo trimestre de 2014 atingiu a pequena marca de 14,1% do PIB. E o principal motivador disso tem sido o crescimento do nível de consumo das famílias ao longo do tempo, que passam a poupar cada vez menos.

Além disso, os índices de confiança dos empresários -que mostram como a esfera privada avalia as perspectivas do cenário econômico em determinado momento- não são animadores. E são vários os fatores do contexto econômico atual que contribuem para isso, tais como: contração do PIB, taxas de juros elevadas, inflação fora da meta estipulada pelo Banco Central, intervencionismo estatal no mercado, entre outros.

Temerosos com o fraco desempenho da economia e inseguros em relação à baixa credibilidade do atual governo, muitos empresários optam por postergar seus projetos de investimento. Desse modo, enquanto as expectativas estiverem ruins o investimento permanecerá estagnado.

No mais, a queda nos indicadores de confiança sugere que os agentes econômicos desejam mudanças adicionais e efetivas na economia como, por exemplo, um ajuste fiscal por meio da correção nas contas públicas, o que permitiria a redução da taxa de juros visando estimular um incremento nos investimentos.

Conclui-se, portanto, que somente com o restabelecimento da credibilidade do governo será possível alcançar uma mudança efetiva nas percepções e expectativas dos agentes econômicos em relação ao desempenho do país e, assim, incentivar os investimentos destinados à ampliação da capacidade produtiva para que a economia apresente uma recuperação considerável e passe a avançar de forma satisfatória.

por Ana Luiza Coelho

Taxa Selic e Depósitos

Os bancos são instituições intermediadoras de crédito, tem a função de captar recursos de poupadores e emprestar (cobrando uma taxa de serviço) para pessoas ou empresas que necessitem de recursos para investir, consumir, etc. É importante dizer que o sistema bancário brasileiro, como na maioria dos países, adota o sistema de reservas fracionárias. Isso significa que apenas parte do dinheiro depositado permanece no cofre do banco e a maior parte é emprestada ou utilizada para outras operações. Suponhamos que uma pessoa deposite mil reais em sua conta no banco A, um depósito à vista, portanto com liquidez imediata; em seguida outra pessoa toma um empréstimo nesse mesmo banco no valor de quinhentos reais. É fácil perceber que agora o sistema não possui apenas os mil reais originais. Embora a base monetária seja a mesma, agora os meios de pagamento disponíveis se multiplicaram. Com o surgimento das moedas fiduciárias e avanços tecnológicos, proporcionando uma infinidade de operações financeiras realizadas eletronicamente, podemos visualizar o efeito multiplicador sobre a economia como a realização de débitos e créditos entre inúmeras contas.

No entanto, para garantir segurança e liquidez ao sistema o Banco Central determina um percentual compulsório de reservas. Podemos dizer que o depósito compulsório é um mecanismo de controle da expansão monetária. Alguns fatores devem ser destacados:

  • As reservas compulsórias existem para depósitos à vista, depósitos a prazo e depósito em poupança;
  • As reservas de depósitos à vista não são remuneradas, as reservas de depósitos em poupança são remuneradas pela mesma taxa paga aos poupadores e as reservas de depósitos são remuneradas pela taxa selic;
  • Os bancos podem optar por fazer reservas voluntárias

Percebemos que mudanças nas taxas de compulsórios e, sobretudo, na taxa selic provocam movimentações entre esses três tipos de depósitos.

Featured image

O gráfico mostra que variações na taxa selic alteram significativamente o volume de depósitos a prazo e depósitos à vista, sempre de modo inverso, ou seja, quando a taxa selic aumenta ocorre uma queda no volume de depósitos à vista e um aumento dos depósitos a prazo; quando a taxa selic diminui os depósitos à vista aumentam e os depósitos a prazo diminuem. No ano de 2008, um ciclo de aumento da selic provoca uma forte migração dos depósitos à vista para depósitos a prazo. O mesmo se verifica entre 2011 e 2012. O inverso pode ser visto em 2009, quando redução da selic provocou migração de depósitos a prazo para depósitos à vista.

Para valores de correlação calculados para o período de Janeiro de 2003 até Agosto de 2014 percebemos que existe uma correlação positiva e mais forte entre taxa selic e depósitos a prazo, por outro lado a correlação entre depósitos à vista e taxa selic é negativa, mas próxima de zero, visto que reservas de depósitos à vista não recebem remuneração.

Podemos concluir que quando ocorrem variações na taxa selic o volume dos diversos tipos de depósitos também se altera, ocorrendo uma migração entre depósitos à vista e a prazo. Isso acontece porque os depósitos a prazo são remunerados pela selic e manter reservas desse tipo de depósito junto ao Banco Central pode ser vantajoso para os bancos. Ato contínuo, os bancos oferecem maior remuneração para que seus clientes façam depósitos a prazo, o que explica o aumento no volume desses depósitos no sistema bancário.

A escolha do voto, a mudança da Selic e a Acrasia (ou a irracionalidade racional)

Microfundamentação da Irracionalidade?

Todo mundo que já estudou Teoria dos Jogos conhece a história da criança que mostraria inconsistência intertemporal. A idéia está bem exposta em Cooter & Ulen (2010):

“(…) imagine que uma criança precisa escolher entre a promessa de receber um doce no sábado ou dois no domingo. Ela prefere os dois doces quando faz a escolha segunda, terça, quarta, quinta ou sexta-feira. Quando chega o sábado, no entanto, a criança pode mudar de opinião e escolher receber um doce imediatamente em vez de no dia seguinte. Observe que a preferência da criança pela troca de uma escolha futura pela outra está em conflito com sua preferência pela troca de uma escolha presente por uma futura (…). Quando os indivíduos descontam o futuro dessa maneira irrazoável, o ganho imediato de se fazer algo de errado lhes parece mais interessante do que a ameaça de punição futura. O aumento da severidade da sanção futura surte pouco efeito sobre seu comportamento, pois o futuro em si surte pouco efeito sobre seu comportamento. [Cooter, R. & Ulen, T. Direito e Economia, Ed. Bookman, 2010, p.485]

Aí eu me pego perguntando sobre os eleitores da presidente, que inundaram a internet com ofensas a Armínio Fraga porque “…vocês, do PSDB, só querem plantar inflação para colher juros”, numa das frases mais baixas já dita nesta campanha (tanto no quesito “honestidade” quanto no “conhecimentos básicos de economia”). Este mesmo eleitor está calado agora ou está justificando o aumento da Selic anunciado terça como necessário.

Sei que não é igual, mas parece, não? O cara escolhe sempre uma taxa menor do que uma mais alta durante a campanha. Aí, depois que ganha, ele altera a escolha. Digo mais, provavelmente, com a proximidade do dia da eleição, com as campanhas alterando sua percepção de quem ganhará ou quem perderá, sua capacidade de mentir racionalmente vai se alterando, tentando, sempre, mentir de forma a maximizar suas chances de alterar votos alheios. Chega o dia, ele vota, as urnas são abertas, contagem feita, seu candidato ganha. Obviamente, ele sabe que, agora, não dá para manter juros baixos e que é uma cabal demonstração de ignorância econômica dizer que “juros altos são apenas para dar ganhos para banqueiros”.

Irracionalidade Racional?

Lembrei agora do modelo do Bryan Caplan, de irracionalidade racional, no qual o sujeito, racionalmente, escolhia acreditar em asneiras. Acho que, em algum momento mesmo, ele chega a dizer que o mercado político estimula este tipo de comportamento (acredito que ele já escreveu isso em algum blog com 99.99% de chance de eu não estar enganado). Engraçado é que podem existir partidos políticos mais ou menos afeitos ao uso desta estratégia conforme os incentivos (circunstâncias, posições em pesquisas eleitorais, pressão dos filiados do partido, etc) e há os políticos patologicamente insanos. Ah sim, não estou xingando:

O desconto irrazoável do futuro, seja ele probabilístico ou sistemático, é uma forma de racionalidade reduzida que atingue uma grande quantidade de indivíduos. Quando a redução da racionalidade vai longe demais, a pessoas se torna insana. [Cooter, R. & Ulen, T. Direito e Economia, Ed. Bookman, 2010, p.485]

Partidos radicais parecem apresentar elevado grau de afeição à insanidade, não? Ah sim, o livro que citei aqui, em rodapé, afirma que meu amigo (bom, um amigo distante, mas um amigo) Pedro Sette-Câmara nos informa que “acrasia” (gregos, obviamente), “desconto hiperbólico” (psicólogos) e “desconto intertemporal” (nós, economistas) são exatamente a mesma coisa.

Conclusão

Obviamente, como sempre digo, creio que é importante pensar se isto tudo não é uma construção conceitual bonita sem fundamento empírico. Acho que não. Acho que há estudos que mostram que, empiricamente, este efeito não é desprezível. Mas isto é algo para se pesquisar mais adiante. Por enquanto, o trabalho urge. Até mais.

Os mecanismos de transmissão da Política Monetária

Atualmente o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação é a taxa nominal de juros de curto prazo, também conhecida como taxa de política monetária. No Brasil, a taxa de política monetária é a SELIC e representa a taxa cobrada nas transações de mercado aberto entre o Banco Central e os Bancos, em que SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é uma câmara de compensação gerida pelo Banco Central onde estas transações com títulos e reservas são compensadas.

O processo de política monetária se inicia primordialmente com o CMN (Conselho Monetário Nacional) que é responsável pelas diretrizes econômicas no Brasil tal como estabelecer a meta de inflação, a meta deve ser estabelecida para cada ano com 2 anos de antecedência. O CMN é composto pelo presidente do Banco Central, Ministro da Fazenda e Ministro do Planejamento.

Após a determinação pelo CMN da meta para inflação, o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne a cada 45 dias para definir a meta para a taxa SELIC. O COPOM é composto por 6 diretores e pelo presidente do Banco Central. A SELIC pode ser determinada, por exemplo, através da Regra de Taylor.

Uma vez determinada a meta para a taxa SELIC, o Banco Central realiza diariamente operações de mercado aberto junto aos bancos (compra e venda de títulos públicos) a fim de alcançar a meta estabelecida para a SELIC.

As taxas de juros terão efeito sobre o crédito de tal forma que injeções de liquidez aumentam a oferta de crédito e reduzem as taxas de empréstimo para as empresas e as pessoas físicas, enquanto que as contrações de liquidez tem efeito contrário.

As taxas influenciarão o consumo e o investimento, onde taxas de empréstimos menores estimulam o consumo e o investimento (C e I), enquanto taxas de juros maiores desestimulam, efeito na IS-LM. No âmbito da demanda agregada com consumo e investimento maiores o hiato do produto reduzirá, da mesma forma, se o consumo e o investimento diminuírem, o hiato do produto aumentará.

Segundo a Lei de Okun um hiato menor reduz o desemprego e um hiato maior aumenta o desemprego. E de acordo com a Curva de Phillips um desemprego menor estimula a inflação, enquanto um desemprego maior reduz a inflação.

Sem título

Como resultado da política monetária podemos observar, comparando a inflação de um mês com a Selic do mesmo mês, que a variação de 1% na meta da taxa Selic é responsável, em média, pela variação de -0,07% no índice de inflação, IPCA. O R² mostra, nesta regressão, que apenas 2,84% da variação do IPCA depende da taxa Selic.

Relação entre Produtividade e Salários

Assim como os outros bens e serviços, a relação entre a quantidade dos trabalhadores e os salários pagos segue a lei de oferta e demanda, no entanto outro fator importantíssimo determina o valor dos salários: a produtividade. A determinação do salário é dada pelo valor da produtividade marginal do trabalho, ou seja, o aumento da produção decorrente do acréscimo de um trabalhador. Sendo assim, um aumento na oferta de mão-de-obra gera uma redução no salário, que faz com que as empresas contratem mais trabalhadores, ou seja, gera um aumento no emprego, e isso afeta também o valor do produto marginal do trabalho visto que a produção adicional de um trabalhador extra é maior. Pelo lado da demanda, um aumento no preço de determinado produto é repassado para os trabalhadores, que ganham salários maiores por conta dos lucros que aumentaram. Nos dois casos, a alteração do salário de equilíbrio faz com que o valor do produto marginal do trabalho também se altere, sempre havendo uma igualdade entre eles, visto que uma empresa é maximizadora de lucros.

No Brasil houve um grande aumento da produtividade entre 1950 e 1980, em decorrência do grande volume de investimentos em infraestrutura e indústria e do aumento do número de trabalhadores. Um dos principais motivos pelos quais a produtividade do trabalhador brasileiro começou a declinar foi a falta de investimentos em educação e qualificação da mão de obra.

O salário real, que é o salário corrigido pela inflação, é um dos mais importantes preços da economia, o qual define a distribuição de renda e o nível de emprego. A análise de demanda de mão de obra mostra que o salário é igual à produtividade, em que trabalhadores mais produtivos ganham salários maiores, enquanto os menos produtivos não são bem pagos. Logo, há uma correlação positiva entre essas duas variáveis. A parte da variação do salário real que não é explicada por variações na produtividade é explicada por outras variáveis como, por exemplo, a taxa de câmbio real e o nível de emprego, os quais podem influenciar significativamente o mercado de trabalho e o comportamento dos preços relativos.

Produtividade

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e The Conference Board – Total Economy Database

No gráfico, os dados são referentes ao período de 1992 a 2012. Em relação ao coeficiente de determinação, o R2, representa que 79,94% das variações do salário é explicado por variações do salário. Além disso, se a produtividade variar em uma unidade, a renda vai variar em 0,4256, que é representado pelo beta 2.

No Brasil, a produtividade tem crescido de forma consistente na agricultura, já na indústria e no setor de serviços permanece estável. Da mesma forma, os salários médios aumentaram muito mais na agricultura em relação aos demais setores, visto que dependem da produtividade do trabalho. Em relação à indústria e serviços, o aumento real de rendimentos pagos foi baixo, em linha com a estagnação da produtividade. Além disso, os salários que mais aumentaram foram os de trabalhadores não qualificados em decorrência da legislação de aumento do salário mínimo, que cresceu acima da produtividade do trabalhador nos últimos anos. Um aumento da renda média que não foi causado pelo aumento da produtividade ou por outros setores, mas por conta do salário mínimo, gera um aumento de preços, o que tem contribuído para manter a pressão inflacionária.

Portanto, há uma relação positiva entre produtividade e salário, porém outras variáveis também influenciam o aumento na renda média. Tanto os salários quanto a produtividade aumentaram mais na agricultura em relação aos demais setores. Além disso, o aumento da produtividade entre os anos de 1950 e 1980 foi devido ao grande volume de investimentos em infraestrutura e indústria, além do aumento do número de trabalhores.