Spinoza e Ramsey: como usar a teoria econômica para entender melhor algumas idéias

Eu prefiro mesmo é ser estudado por economistas. Os filósofos são muito chatos.

Aqui está. O resumo:

Emotions, Happiness and Growth: Spinoza, James, and Ramsey
João Ricardo Faria
ABSTRACT
This paper adapts the Ethics of Spinoza into the Ramsey growth model and shows that the way people conceive and understand life, related to emotions of joy and sorrow, affects economic performance. The model has multiple equilibria: The Spinoza solution — optimism — leads to greater capital accumulation, income and consumption levels, while William James’s solution — pessimism — leads to a worse economic performance. The Ramsey model, where emotions balance, lies in between these two solutions, showing that the neoclassical growth model can be seen as a particular case of the Spinoza model. Finally, regarding the relationship between emotions and economics, in the Spinoza and William James solutions emotions and happiness are determined independently from economic variables. Only in the Ramsey case are emotions explained by income and consumption.

Não é o primeiro modelo que vejo falando de “idéias” ou “valores” e crescimento (desenvolvimento) econômico. Entretanto, é um ótimo modelo porque faz uma ponte interessante entre conceitos filosóficos e economia, encontrando hipóteses muito interessantes para estudos posteriores. Eis o que Faria (2011) encontra:

We obtain three neat results regarding the relationship between emotions and economics. First, the way we conceive and understand our lives, being optimistic or pessimist, affect our economic behaviour, making a difference in terms of capital accumulation, consumption and income. Second, we show that the Ramsey model can be seen as a particular case of Spinoza’s model, in which joy and sorrow balance. Last but not least, we derive closedform solutions for the determination of emotions, assessing whether happiness determines or is determined by economic variables.

Ahá! Agora sim, você, que se diz estudante de Economia, que se diz preocupado com modelos econômicos e também com a realidade, pode se sentir menos ignorante. A discussão com aquele seu colega não-economista ficou mais interessante já que seu pensamento está, agora, mais organizado logicamente.

Você, que é nosso aluno, e que já teve aulas com o professor Jonathan, obviamente sabe o que é um Hamiltoniano e, portanto, não terá problemas em entender o que foi feito. Caso seja um verdadeiro estudante, tentará abrir as contas (reproduzí-las). Caso tenha um interesse específico no tema, claro, dará mais um passo e tentará pensar em como modificar o modelo.

Faria, um economista brasileiro, já esteve no Ibmec, e deu-nos um mini-minicurso de uma tarde para alunos interessados sobre a utilidade dos modelos econômicos. Foi no ano passado, se não me engano.

A importância do agronegócio no Brasil



A balança comercial é a relação entre exportação e importação do país. Quando o país obtém resultados positivos na balança comercial, o mesmo obtém um superávit, ou seja as exportações superam as importações em um determinado período, e os ganhos das exportações geram um lucro que é usado para investir no sistema econômico, podendo então realizar novas operações, estimulando a economia nacional.

A balança comercial do Brasil teve uma grande variação nos últimos meses, sendo que no mês de junho houve um superávit de U.S$2,36bi, melhor resultado em três anos, somente no setor de agronegócio houve um superávit de US$8,4bi.. Analisando a balança comercial acumulada do primeiro semestre, percebe-se um resultado negativo, com exportações de U.S$110,5bi e importações de U.S$113bi, porém o agronegócio foi o principal setor à impulsionar as exportações, pois teve uma participação de 44% na balança, considerando que a soja é o principal produto responsável pela grande quantidade de produtos do agronegócio, fazendo parte de 14,8% do valor exportado. É importante também ressaltar que o agronegócio teve um papel crucial no mercado de trabalho, agronegócio é responsável por 37% de geração de empregos, diminuindo a taxa de desemprego.

grafico exportacoes

O gráfico acima representa os 5 principais produtos exportados no ultimo ano, sendo que 3 deles fazem parte do agronegócio. A soja, por sua vez, teve um aumento de 46,7% do seu volume exportado.

As condições climáticas brasileiras facilitam a alta produtividade no campo, mas obviamente o investimento na modernização da agricultura, da infraestrutura de rodovias e portos para escoamento da produção ampliaria a vantagem já existente através do favorecimento das condições climáticas. Analisando o investimento de outros produtos que fazem parte da balança comercial, como o petróleo, houve um aumento de R$8bi, entretanto seu déficit no mês de junho foi de 8,7%, pelo fato das imensas importações de combustível diesel e gasolina. Houve também um investimento de R$6,5bi para os produtos industrializados, que teve déficit de 20% no primeiro semestre, sendo que a maior parte destes produtos são os da indústria automobilística, que está também desacelerando a exportação nacional com uma queda de 30,4% no último ano. Além de uma diminuição na produção dos automóveis, o setor também teve uma queda de 4,1 mil empregos de 2013 para este ano, prejudicando a produção do país.

Foram investidos R$136bi em 2013, não todos os projetos planejados foram transformados em ações , mas ainda assim os resultados positivos do agronegócio foram o que sustentaram os outros setores deficientes. Fica evidente que o agronegócio é o que contrasta os outros produtos com déficit, e que é necessário que o próximo governo tome iniciativas de políticas de financiamento e investimento no desenvolvimento e crescimento do setor de agronegócio, aprimorando a qualidade do desenvolvimento da atividade econômica nacional.

Fontes:
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/

http://g1.globo.com/economia/noticia/

http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2013/07/agronegocio-responde-por-37-dos-empregos-no-brasil-.html

http://www.dci.com.br/financas/atividades-no-brasil-id409595.html

Novas Expectativas para a Infraestrutura Brasileira

Um dos grandes desafios para o próximo governo é criar novas propostas para destravar a infraestrutura com o objetivo de retomar o crescimento econômico de forma sustentável. Para que o Brasil chegue a níveis de crescimento próximo aos de países emergentes, é preciso criar mecanismos que solucionem diversos entraves relacionados a infraestrutura, como problemas ligados a mobilidade urbana, a energia e logística.

Durante os últimos mandatos, houve perda da capacidade de investimento, aumento da burocracia no que tange a regulamentação, perda da capacidade para a criação de projetos executivos, falta de mecanismos eficientes para a mediação de conflitos, ineficiência na produção e distribuição de energia, além da dificuldade de acesso aos portos. Em média, o governo tem investido 2,2% em proporções do PIB em infraestrutura, sendo este considerado um valor baixo em relação aos investimentos realizados por alguns países emergentes, como Índia e China, no entanto, o ideal seria que se ajustasse para mais de 5% do PIB até o ano de 2030. Há diversos problemas específicos ao aparato regulatório relacionados a demora na análise de licenças ambientais à judicialização de decisões e, além disso, problemas no fluxo orçamentário são umas das principais causas de obras inacabadas no país.

Nas últimas décadas, a grande inovação na infraestrutura brasileira foi proporcionada pela privatização de alguns setores, como telecomunicações, ferrovias, estradas e aeroportos. Essa iniciativa provocou aumento do dinamismo relacionado ao atendimento da demanda. A gestão privada de bens públicos para a prestação de serviços, antes responsabilidade pública, pode ser entendida como inovação, pois muda a ótica da gerência dos ativos: as empresas privatizadas precisam gerar lucro para remunerar o capital investido, enquanto sob a administração da esfera pública somente existia para realizar o serviço sem objetivar primordialmente a obtenção de lucros. Com as privatizações, as prestações de serviços tendem a ficar melhores por uma exigência econômica e natural de mercado, não seguindo premissas relacionadas às exigências coletivas sob forma de pressão política, visando garantir ou tornar melhor os direitos de cidadania dos usuários. Em relação a gestão privada, se o serviço não for prestado com padrões mínimos de qualidade, o usuário optará por uma solução alternativa ou não usará os serviços e, portanto, não pagará pelas taxas.

O grande triunfo de se pensar em inovação, ou seja, a privatização como uma maneira de se resolver problemas relacionados a infraestrutura nacional, tem a ver com o fato de o setor produtivo buscar autonomia para não mais contar com investimentos públicos na provisão das externalidades necessárias para o andamento das suas próprias atividades, realizando-as com os seus próprios recursos.

Ainda que tenha opções inovadoras para se resolver o problema de infraestrutura precária do Brasil, há um grande caminho para se percorrer no sentido de se realizar ajustes capazes de atender toda a demanda vigente, e que ao mesmo tempo sejam adequados para eliminar problemas que possam influir negativamente para o alcance de um crescimento econômico sustentável, provocando melhoras estruturais permanentes e importantes para o benefício das entidades privadas que atuam em diversos segmentos brasileiros.

Restrição Orçamentária e os Burritos – Um Exemplo de Estratégia de Preços

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Ok, após quase 15 anos lecionando Teoria do Consumidor, eu fui alforriado. Mas o leitor da internet sabe que old habits die hard. Assim, hoje eu descobri um restaurante relativamente novo na cidade (trata-se de uma franquia), de comida mexicana ou, na minha linguagem, um lugar onde posso comer burritos. Eventualmente há outros pratos, mas minha preferência por burritos é acentuada.

Dito isto, eu almocei lá, não jantei. Tivesse sido este o caso, o garçom – se o serviço lá for melhor que a média dos de Belo Horizonte, no qual o garçom não é lá o melhor amigo do cliente – teria me avisado desta promoção.

Veja aí em cima. É basicamente o seguinte: se você jantar lá na quarta-feira, quinta-feira ou domingo (não entendi o “de 4a, 5a”. Se fosse “de 4a a domingo”, vá lá. Enfim…) ganha um voucher de 100% de desconto no prato consumido para usar em jantares na segunda-feira ou na terça-feira.

Pode ter ficado um pouco confuso. Entendi que se consumi um prato de R$ 40,00, ganho um desconto de R$ 40,00 em qualquer outro prato que eu vá consumir, mas existe a opção de o desconto ser interpretado como: “você comprou o prato X e pode repetí-lo na segunda ou na terça, sem pagar nada”. Acho a segunda opção muito estranha e vou ficar com a primeira porque imagino que o estabelecimento queira preservar a curiosidade do consumidor que poderá experimentar outro prato e, claro, isso é o melhor sinalizador das preferências do consumidor que um vendedor poderia ter.

Mão na massa!

Bem, se este é o caso, você, estudante de Teoria do Consumidor, pode pegar lápis, borracha, régua e papel e se divertir com um exercício simples que é o de dizer qual é a expressão algébrica da nova restrição orçamentária. Fácil, né? Ora, se você não precisa repetir o prato, mas pode escolher qualquer outro item do menu - minha interpretação favorita – então o desconto corresponde, tão somente, a um acréscimo em sua renda a ser usado nos dias em questão.

No semestre passado, um grupo de alunos ficou encarregado de falar sobre este item: restrição orçamentária (um grande incentivo dividido em “n+1″ pequenos incentivos: “n” preços e a renda nominal). Acho que se algum deles ler isto aqui perceberá que, novamente, o que apresentaram era algo extremamente relevante e aplicado. Afinal, estamos falando de estratégias de preços. Outros incentivos como este estão aqui.

Adendo

Ah sim, lamento dizer que o restaurante não nos informou sobre a pesquisa de satisfação ou sobre o voucher. Só descobri pelo site. Isto mostra que o fato de ser praticamente um monopólio na venda de meus queridos burritos também é um incentivo para manifestar a ineficiência do monopólio, algo que sempre pode ser corrigido por uma boa concorrência efetiva ou pela ameaça de concorrência potencial (que eu acho mais difícil no caso de restaurantes em shoppings, como é o caso).

De qualquer forma, fico feliz em poder usar a promoção deles como exemplo de sala de aula, mesmo que não seja mais a lecione.

Sazonalidade no IPCA

Um amigo me enviou uma questão sobre a sazonalidade do IPCA. Até onde sei – e isto vale para os membros do Nepom – este é um tema importante e o trabalho mais didático que já vi é este texto do Banco Central. O complicador para o analista é que a sazonalidade ocorre em alguns itens do índice, e não em outros. Mais ainda, a sazonalidade pode ser determinista ou estocástica e não necessariamente vem no mesmo tamanho, pacote e em papel de presente para todos os itens do IPCA.

Como sub-produto, encontrei este blog divertido (“Atirei o pau no gráfico”) que tem uns textos divertidos por meio de análises de variados tipos de gráficos. Já falei disto por aqui muitas vezes e vou repetir: sinto falta de gráficos (e análises dos mesmos) por aqui. Os membros do Nepom parecem ter entrado na era do celular e não conseguem mais usar uma planilha ou um programa econométrico que exija um pouco de datilografia, paciência e imaginação. Para incentivá-los, vou lembrar que é muito mais interessante sentar em um bar com um computador, pedir um café (ou um chá), um bolo de cenoura (ou um pão de queijo) e trabalhar. Sugiro fortemente.

Aliás, por falar no IPCA, olha ele aí:

ipca

Gostaram? Talvez você prefira ver de outro jeito. Sem explicar muito, eis uma bela visualização.

ipca22

 

Pois é. Dá para falar do IPCA a noite toda mas, ei, não sou o único membro do Nepom! Vamos deixar que o resto do pessoal se faça presente.

Qual é a propensão marginal a consumir no Brasil? (Momento R do Dia)

Pergunta difícil. Vamos mudar para: “qual é a estimação da propensão marginal a consumir no Brasil que se obtém com dados do IBGE, supondo que a função consumo seja a keynesiana acrescida da hipótese de que impactos da renda sobre o consumo são defasados no tempo”?

Ficou um pouco comprido, mas mais honesto e menos pretencioso, não? Além de nos possibilitar estimar a propensão marginal de curto prazo e dela extrair a de longo prazo. Ahhhh!!! Agora sim, né?

Vamos usar, então dados mensurados no tempo (séries de tempo ou, no original, time series). Tome-se o período de 1950-2012. Vamos, na verdade, replicar o exemplo 17.7 da última edição do livro de Gujarati & Porter para dados brasileiros. Basicamente é isto.

Coleta de Dados

Primeiramente, usei o IPEADATA para buscar dados correntes (ou seja, nominais) do PIB e do consumo final das famílias. Em seguida, obtive o deflator implícito do PIB e mudei sua base para 2012. Obtive os valores do PIB e do consumo a preços de 2012 e, claro, obtive a população residente do país e calculei os valores per capita.

Obviamente você poderá me dizer que eu deveria usar a renda e não o PIB. Outra crítica poderia ser para a medida de população. Enfim, é apenas um exercício e se você quiser me enviar os links para os dados, eu agradeço. De qualquer forma, após importar os dados para o R, assumi que existem infinitos efeitos de defasagem da renda sobre o consumo, o que significa que decidi estima uma forma funcional específica que está explicada de maneira muito didática na seção 17.4 do Gujarati.

Só para matar a curiosidade, veja os gráficos das duas séries.

pibbr consbr

Bonito, né?

Veja bem, trata-se da função keynesiana mesmo, mas com defasagens. Digo isto porque meus alunos também aprendem outra função consumo que é a derivada da hipótese da renda permanente, cuja especificação é muito parecida, mas não idêntica à do exercício que estamos descrevendo aqui. Bem, o leitor que já passou pelas páginas do livro sabe que, neste caso, a função consumo que se obtém com alguma álgebra é:

Ct = a + bYt + cCt-1 + et

Assim, estimei esta função e obtive:

Coefficients:
Estimate       Std. Error             t value                  Pr(>|t|)
(Intercept)      0.0005092      0.0001490             3.418                   0.00115 **
pib[, 1]              0.2188254        0.0501393              4.364                   5.21e-05 ***
cons[, 2]           0.6154625       0.0877814               7.011                  2.59e-09 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Residual standard error: 0.0003554 on 59 degrees of freedom
Multiple R-squared: 0.9871,            Adjusted R-squared: 0.9867
F-statistic: 2259 on 2 and 59           DF, p-value: < 2.2e-16

Em outras palavras, a equação estimada é:

Ct = 0.0005092 + 0.2188254Yt + 0.6154625Ct-1 + resíduos

Simples, não? Agora vamos falar do estado estacionário. No longo prazo, como sabemos, as variáveis estarão em seu estado estacionário e, obviamente, a média dos erros é zero. Usando a nossa estimação, isto significa que:

C = 0.0005092 + 0.2188254Y+ 0.6154625C

Obviamente:

C = [0.0005092 + 0.2188254Y] /[1 - 0.6154625 ]

C = 0.0013 + 0.5691Y

O que significa isto?

Significa que a propensão marginal a curto prazo (PMgCP) é, aproximadamente, 0.2188 e a de longo prazo é, aproximadamente, 0.5691. Ok, você pode me dizer que esperava uma PMgLP mais alta, próxima  da unidade. Mas vamos ver mais algumas coisas neste exemplo antes de discutir este ponto.

Repare na defasagem mediana: – log(2)/log(0.6154625) = 1.428. Ela nos diz que 50% da mudança de uma unidade da renda leva cerca de 1.4 anos para fazer efeito no consumo. Claro, podemos calcular também a defasagem média, dada por: 0.6154625/(1-0.6154625) = 1.6005, ou seja, a defasagem média do efeito é de 1.6 anos.

Limitações?

Pois é. A PMgLP ficou um pouco acima da metade do que esperaríamos. Afinal, a teoria nos diz que a PMgLP deveria ser unitária. Ceteris paribus, podemos discutir um pouco isto.

No campo teórico, obviamente, você pode me dizer que este modelo é ruim porque não leva em conta as expectativas dos consumidores. Poderíamos rever isto simplesmente estimando a uma função consumo que incorporasse este aspecto importante. Não é difícil e a literatura nos dá duas famosas alternativas: o modelo de Friedman da renda permanente e o modelo de Hall (também chamado, muitas vezes, de modelo de renda permanente, mas com a ressalva que a hipótese sobre a formação de expectativas dos agentes é distinta da adotada por Friedman).

Empiricamente há ainda a chamada falácia ecológica que diz respeito ao fato de usarmos dados agregados – ainda que per capita – para falar de indivíduos. Em outras palavras, a base de dados deveria ser oriunda de algum estudo com microdados. Ok, esta é uma crítica importante, mas implicaria em partirmos para outro exemplo.

Ainda empiricamente, e de forma relacionada ao debate teórico, há a questão das propriedades que dados no tempo possuem (sazonalidade, tendência e se ambas são deterministas ou estocásticas). Esta é outra crítica importante e que não será tratada aqui porque, afinal, minha idéia foi só ajudar o leitor a aproveitar seu tempo de forma divertida.

Claro, não falamos de detalhes econométricos deste exercício, mas você já deve estar cansado de tanta emoção, não?

Dica do dia!

Agora vamos ao almoço quase gratuito de hoje: a rotina de R utilizada. Você, obviamente, precisa ter sua planilha salva em formato .csv antes de qualquer coisa. Eis uma imagem da minha.

Fullscreen capture 8142014 104155 AM

Para o código em R:

# importar os dados
dados<-read.table("C:/Users/cdshi_000/Documents/Meus Documentos/Meus Documentos/cursos/Econometria ii/funcao_consumo_anual.csv",header=TRUE, sep=",", na.strings="NA", dec=".", strip.white=TRUE)

# informar ao R que são séries de tempo, começando em 1947, frequência anual

series <- ts(dados, start=c(1947), freq=1)

# checar cabeçalho para ver se não houve algum erro. 

head(series)

# vamos trabalhar com uma janela da amostra.

blog<-window(series, start=c(1950), end =c(2012))

# ler colunas 8 e 7 

consumo<-blog[,8]
pib<-blog[,7]

# grafico para, novamente, ver se não houve problema na leitura dos dados

plot(consumo, main="Consumo per capita em R$ de 2012")
plot(pib, main="PIB per capita em R$ de 2012")

# construindo a defasagem do consumo e do PIB (posso querer usá-lo depois (PIB)).
consumolag=lag(consumo,-1)
piblag= lag(pib, -1)

# criando a matriz com consumo e a defasagem do mesmo. Idem para pib

cons=ts.intersect(consumo, consumolag)
pib =ts.intersect(pib, piblag)

# resumo da regressao do exemplo 17.7 de Gujarati & Porter, com dados brasileiros

summary(lm(cons[,1]~pib[,1] + cons[,2]))

Repare que meu código é didaticamente explicado (o que não significa que você não tenha que fazer algum esforço, né?). Quantos resultados interessantes, não? Eu os levaria ao professor de Econometria I (no caso de nossa faculdade, o Marcio Salvato) ou a outros caras muito bons de Econometria (como o Ari, Reginaldo, Jonathan, Guilherme, para falar só de algumas referências ótimas que temos na faculdade).

Legal, não?

Novos membros

Hoje tivemos o processo seletivo do Nepom e, por motivos específicos, vamos para uma formação com sete pessoas (o ideal, para mim, são cinco). Como estou sem um artilheiro em Econometria, resolvi apostar na inclusão de dois membros ao invés de um. Esta configuração, contudo, requer que todos os membros sejam mais pró-ativos em Economia Aplicada (ou, simplesmente, Economia) o que, sim, é sinônimo de que todo mundo tem que pensar mais com mais vontade econométrica.

Isto significa uma mudança importante e espero que os membros não se esqueçam do que conversamos hoje.

Ah sim, antes que me esqueça, bem-vindos Jeff e Ana Luiza.

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Chá verde, livros e horas-traseiro na cadeira formam o caráter de homens (e de mulheres). Talvez possamos ficar sem chá, mas não sem o restante.

Venda de esposas na era medieval era uma solução para alguma falha de governo?

Bom texto para se discutir o tema. Eis o resumo.

Wife Sales

Peter T. Leeson, Peter J. Boettke, Jayme S. Lemke

Abstract
For over a century English husbands sold their wives at auctions. We argue that wife sales were an institutional response to an unusual constellation of property rights in Industrial Revolution-era English law. That constellation simultaneously required most wives to obtain their husbands’ consent to exit their marriages and denied most wives the right to own property. In doing so it precluded direct Coasean divorce bargains between spouses that could dissolve inefficient marriages when wives’ valuation of life outside their marriages was higher than husbands’ valuation of life inside them. To overcome this problem, spouses used wife sales to conduct divorce bargains indirectly. Wife-sale auctions achieved this by identifying and leveraging “suitors” men who valued unhappy wives more than their current husbands, who unhappy wives preferred to their current husbands, and who had the property rights required to buy unhappy wives’ right to exit marriage from their husbands. The resulting transactions enabled unhappy wives in inefficient marriages to exit those marriages where English law otherwise prevented them from doing so.

Pois é. Ciência Econômica é isto e nunca mais foi a mesma depois das colaborações de James Buchanan, Ronald Coase e Gary Becker (que são as principais influências que se vê no texto). Claro, os avanços tecnológicos e a maravilhosa – e espontânea – dinâmica dos mercados – com uma mão benigna ou maligna do governo aqui e acolá – levou a sociedade a uma situação, claro, muito melhor, com as mulheres, atualmente, não precisando mais usar um mercado como este (que outro Nobel chama de “trocas repugnantes” ou “mercados repugnantes”) para se ver livre de um marido que não ame.

Bom exercício para alunos de Economia

Debater seriamente este belo texto do Celso Ming sobre a PEC das domésticas. Sugiro que se pense, por exemplo, em que variáveis analisar, quais as correlações relevantes, qual o modelo adequado para se fazer uma análise inicial (equilíbrio parcial ou geral, estático ou dinâmico?), etc.

Quer aplicar Economia? Comece, então.

Nível de confiança

A última frase desta reportagem mostra que o autor do texto entendeu o que estudou. Confira esta e a frase anterior.

A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, em um nível de confiança estimado de 95%. Ou seja, se fossem feitas 100 pesquisas idênticas a esta, 95 deveriam apresentar resultados dentro da margem de erro.

O conceito de nível de confiança pode ser encontrado aqui.