Quem são os responsáveis pela decisão da taxa Selic?

O Brasil é um país que adota o Sistema de Metas para inflação, este modelo constitui basicamente em perseguir uma meta para a variação do índice de preços pré-estabelecida e anunciada publicamente pelo Conselho Monetário Nacional. A meta para 2013 é de 4,5%, e para alcançar esse objetivo o Banco Central dispõe de alguns instrumentos, como a controle da taxa de juros de curto prazo, a taxa Selic.

 O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão responsável pela elaboração da política monetária do Banco Central do Brasil (BCB) e por estabelecer a meta da taxa de juros básica da economia,Taxa Selic aumenta em 0,25 ponto percentual  . Portanto, existe uma equipe de economistas por traz dessa decisão. Quem são os responsáveis por atingir tais objetivos?

O Copom é composto pelos seguintes membros, que tem poder de voto nas reuniões que acontecem de 45 em 45 dias para decisão da taxa Selic e, portanto participam dos dois dias da reunião:

Presidente do BCB, Alexandre Tombini, Ph.D. em Economia, Universidade de Illinois, USA, está no BC desde 1988, criou o Departamento de Pesquisas e assumiu a presidência em 2011 no governo Lula;

Diretor de Administração – Dirad, Altamir Lopes, bacharel em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), chefiou por dezesseis anos o Departamento de Pesquisa Econômica (Depec) e está na diretoria desde março de 2012, é responsável por toda a divulgação de dados econômicos;

Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos – Direx, Diretor de Regulação do Sistema Financeiro – Dinor, Luiz Awazu Pereira da Silva, Ph.D. em Economia, Université de Paris-I Sorbonne, é o único responsável por duas diretorias, ex-diretor do Banco Mundial, tem passagens pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento e está no banco central desde 2010;

Diretor de Fiscalização – Difis, Anthero Meirelles, Doutor em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais, está no BC desde 1994, é também professor titular da cadeira de Estratégia Empresarial em mestrado acadêmico em Belo Horizonte, e assumiu a diretoria em 2011.

Diretor de Política Econômica – Dipec, Carlos Hamilton Araújo, doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, está no BC desde 1992, já passou pelo Tesouro Nacional e assumiu a diretoria em 2010.

Diretor de Política Monetária – Dipom, Aldo Mendes, Mestre em Economia pela UNB, fez carreira no BC onde chegou a vice-presidência de Finanças;

Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural – Diorf, Pós-graduado em Gestão, Universidade de Brasília, passou por vários departamentos antes de assumir o posto em 2011.

Além destes, participam no primeiro dia da reunião outros sete chefes de outros departamentos do BC, chefes de gabinete, assessores e consultores da Diretoria Colegiada, consultor e chefe adjunto do Depep, além do Assessor de Imprensa do Banco Central. No primeiro dia, os chefes de departamentos fazem suas apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e financeira. A participação no segundo dia de reunião é limitada aos membros do Copom e ao Chefe do Depep, neste dia é decidida a taxa de juros e seus membros fazem recomendações acerca da politica monetária.

As informações acerca dos membros do Copom são divulgadas pelo BC.

IPCA de abril

O indicador de inflação oficial do governo, o IPCA acumulado em 12 meses, totalizou 6.49%, voltando ao intervalo da meta de inflação estabelecida. Entretanto, ainda não vimos convergência, seja linear ou não, da variação do índice para o centro da meta. 

Novamente o valor para o mês, 0.55%, foi acima do previsto no relatório Focus, 0.48%. Isso se deve a uma menor descompressão do principal grupo de itens do IPCA, Alimentação e Bebidas, sobre o qual o efeito das desonerações tributárias foi sobreestimado além da não existência de um choque de oferta como ocorreu no mesmo mês do ano passado.

Em termos de inflação por setores, o de serviços mostra algum declínio na comparação com o nível do final de 2011, tendo acumulado 8.1% em 12 meses para o mês de abril. A desaceleração do rendimento médio real, assim como da atividade econômica pode ser um dos fatores que expliquem a redução no nível de inflação do setor.

Nosso grupo-irmão na UFF

Vitor Wilher criou um grupo como o Nepom lá na UFF. Eis o link. Logo, logo, estará como link permanente, ao lado.

O controverso e polêmico R²

Aos interessados, amantes e entusiastas da econometria: vale muito à pena ler este texto do Dave Giles’ Blog! Dica original de nosso amigo Pedro Sant’Anna.

O bom é que essa leitura me fez recordar de outro assunto interessante, do qual tentarei falar nos próximos dias. Aguardem.

 

Divulgando blogs de qualidade

Como alguns já sabem, estou no meu último dia de minicurso de R aqui na UFPel. Tenho que divulgar, portanto, dois ótimos blogs: Papo de Economista e o Economia Aberta, do pessoal do mestrado. Caso queira fazer um bom mestrado, esta é uma ótima opção. Eis a página do pessoal do Mestrado.

Inflação Para Dummies

Acredito ser especialmente delicado blogar quando o assunto a ser tratato consiste em algo dito de domínio do público em geral… todo mundo se diz entendido e capaz “dar pitaco” quando o assunto é economia. Imagino que nenhum de nós diria não saber o que é inflação. Mas de fato o sabemos?

Aspirantes a economista, assim como eu, se deparam vez ou outra com algumas dificuldades que são decorrentes simplesmente de uma formação defasada no que tange a conceitos elementares ou alguns princípios fundamentais. Tal é a razão pela qual eu me senti motivada a procurar saber um pouco mais sobre inflação, que tem sido amplamente discutida nos mais variados veículos de comunicação, e decidi por deixar aqui registrado um breve esclarecimento referente a esse tema. Comecemos por perguntar:

O que é inflação?

 Do latim, inflatio (inflar, inchar). É um termo empregado em economia tradicionalmente para indicar um aumento de preços – mas não um aumento qualquer. Designamos por inflação uma elevação contínua e generalizada do nível de preços.

A exigência de haver continuidade nesse aumento decorre do fato de que uma alta esporádica de preços não é prejudicial ao funcionamento da economia – os mercados são eles mesmos capazes de ajustar a atividade econômica a esse novo patamar de preços. Em contrapartida, um aumento contínuo nos preços acaba por influenciar as expectativas dos agentes econômicos, podendo fazer com que os recursos não sejam alocados de maneira eficiente prejudicando, portanto, o crescimento econômico.

Uma das maneiras de verificarmos se a inflação foi resultado de uma elevação localizada nos preços ou se esse movimento foi generalizado é observar o índice de difusão, que mede a proporção de produtos dentre os componentes do IPCA cujos preços aumentaram. (Visto que o índice de difusão do mês de março beira os 70%, diga você mesmo se tomates são desculpa para essa alta da inflação).

O que causa inflação?

Em uma economia de mercado, os preços sempre variam por serem regidos pela interação entre a oferta e a procura. Se houver, por exemplo, uma forte tempestade nas principais áreas onde o milho é cultivado a produção seria comprometida fazendo com que houvesse uma elevação dos preços regida pela oferta. Por outro lado, caso fosse anunciada uma nova forma de tratamento anti rugas através do consumo diário do milho, a procura pelo cereal cresceria significativamente e proporcionaria, assim, um aumento no seu preço.

A inflação pode decorrer também de outros fatores, tais como a inflação passada e a expectativa dos agentes econômicos quanto a inflação futura. Pode ser, também, que crescimento do produto acima de um certo nível gere pressões inflacionárias. Entretanto, esses fatores só afetam a inflação no curto prazo. Uma elevação sustentada no nível de preços depende da quantidade de dinheiro na economia. Quando o Banco Central decide por elevar a taxa de juros, por exemplo, o crédito fica mais caro, aumentando o custo de oportunidade dos bancos em emprestar dinheiro, fazendo diminuir a quantidade de dinheiro em circulação na economia. Com esse custo mais elevado das compras a prazo, as pessoas consomem menos. Acrescentemos a isso o fato de os financiamentos se tornarem também mais caros, levando a uma queda de investimento em máquinas e equipamentos por parte das empresas. Essa diminuição da demanda faz com que a inflação tenda a baixar. Eis o motivo pelo qual a manutenção da taxa básica de juros, a taxa Selic, é uma das principais formas de se controlar a inflação.

Quais as consequências da inflação?

A principal consequência da inflação está na redução do poder de compra da moeda. Quando os preços se elevam, se faz necessário dispor de mais dinheiro para adquirir uma mesma cesta de bens. O dinheiro perde seu valor com o passar do tempo e é como se a inflação corroesse os salários.

Se a inflação ou as expectativas de inflação se elevam, as pessoas passam a preferir o consumo imediato em detrimento da poupança, o que pode ser negativo para o crescimento econômico no longo prazo.

É desejável que a inflação seja baixa e estável. Uma variação acentuada do nível de preços ao longo do tempo (inflação volátil) faz com que as empresas não tenham segurança quanto aos seus custos e receitas futuros. Inflação volátil, inflação elevada ou expectativa de inflação elevada significa aumento da incerteza e dos riscos, que dificultam o planejamento de longo prazo tanto das empresas quanto das pessoas, desencorajando-os a investir e poupar.

Uma inflação elevada pode desequilibrar a balança comercial de um país pelo fato de ela fazer com que os produtos nacionais fiquem mais caros provocando um aumento nas importações e queda nas exportações.

Constatamos aqui que a inflação é considerada um flagelo e deve ser então controlada para que não atinja níveis muito elevados e nem oscile demasiadamente depressa. A questão é que, na maioria das vezes, existe um trade-off entre inflação e crescimento econômico. A inflação pode cair via aumento dos juros (reduzindo consumo e investimento), diminuição dos gastos do governo, ou com uma maior abertura da economia (aliviando o excesso de demanda com as importações). Essas três opções freiam o crescimento no curto prazo.

 Suma

Inflação é um aumento contínuo no nível geral de preços da economia, causada por eventuais descompassos entre a oferta e a demanda agregada e que depende em última instância da quantidade de dinheiro em circulação. Inflação elevada e volátil é indesejada por reduzir o poder de compra do dinheiro e provocar aumento da incerteza. O processo inflacionário deve ser controlado, mas frequentemente é observado um trade-off entre inflação e crescimento.

 

Existem variados tipos de inflação, classificados em inflação de custo, demanda, inercial, entre outros; há  diversos índices de inflação e ainda diferentes abordagens por economistas heterodoxos e ortodoxos. Não pretendia me alongar demais – tentei fazer, portanto, com que o post não abrangesse nada além do elementar. Utilizem dos comentários caso eu tenha omitido alguma informação essencial ou cometido algum equívoco. Afinal, blogueiro não dispõe de corretor e, bom… aprendiz todos somos, but I’m still a dummy.

Ata da 174ª Reunião do COPOM

Na 173 reunião, na sua ata, o Copom declarou que:

“33. Nesse contexto, o Copom irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.”

Agora, na ata divulgada hoje (25/04), temos a seguinte mudança nesse paragráfo:

“34. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.”

Nessa reunião, finalmente, o Copom decidiu (de forma não unânime) pelo aumento de 0.25 p.p. na taxa básica de juros da economia. Pela primeira vez em algum tempo, o Banco Central admitiu que a inflação acumulada em 12 meses (6.59%) se encontra em um patamar elevado e reiterou, em relação a última ata, as distorções causadas pela inflação para os indivíduos.

Essa mudança de direção na posição do Banco Central sinaliza o início de um ciclo de aperto monetário, que deveria vigorar até o momento em que a inflação convergisse para o centro da meta (o que ainda não aconteceu no governo Dilma). Resta saber se as condições políticas o permitirão.

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