A inflação gerada por causas monetária e reais

A taxa de inflação, por definição, é o aumento do nível de preços de um conjunto de bens e serviços em um determinado período. É um fenômeno em que a maioria dos preços vai se alterando com uma frequência mensal.

O aumento dos preços podem ter causas monetárias (impressão de papel moeda), causas psicológicas (expectativas), ou causas reais (descompasso entre oferta e demanda).

Neste artigo irei analisar a taxa de inflação do Brasil primeiro sob as causas monetária e depois sob as causas reais.

A partir de 2003 houve um grande aumento da concessão de crédito na economia brasileira, fazendo com que os resultados macroeconômicos de curto prazo fossem aparentemente positivos.  O desemprego caiu muito, as taxas de crescimento se elevaram, o poder de compra do consumidor subiu, entre outros. Mas esses resultados foram distorcidos, pois tratava-se de um crédito que foi expandido nesse volume por causa da expansão da base monetária feita pelo Banco Central. Ou seja, o crédito não aumentou porque o nível de poupança aumentou, mas porque o Banco Central e o sistema bancário expandiram rapidamente o volume e dinheiro na economia.

Porém, essa expansão não pôde durar para sempre e quando ela acabou ficou uma conta a ser paga. O nível de crescimento não é mais o mesmo e agora existe o problema da inflação. Então, podemos justificar parte do aumento da inflação com a exagerada expansão monetária feita pelo Banco Central, que gerou crescimento de curto prazo e no longo prazo elevou do nível de preços.

Analisando agora os descompassos entre oferta e demanda, podemos observar que muitos dos produtos que são pesquisados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumido Amplo) estão sofrendo choques de oferta negativos. Ou seja, estão com problemas em seus processos produtivos. O destaque é para o setor alimentício, que vem sofrendo com secas em determinadas regiões e inundações em outras. A elevação dos preços do tomate a da batata inglesa chamaram a atenção no último mês, sendo respectivamente 32,85% e 35,05%. Além deste, o setor de serviços também apresentou aumento significativo justificado pelo encarecimento da mão de obra.

Sendo assim, podemos perceber que existem vários fatores que estão nos deixando preocupados com a inflação. E dentre eles estão acontecimentos passados, recentes, controláveis e até outros que não podem ser controlados, como o calor e as chuvas.

O fato é que as previsões de inflação para este ano (6,35%) já estão bem distantes da meta estipulada pelo Banco Central (4,5%) e estão quase alcançando o limite máximo (6,5%). Algumas medidas estão sendo tomadas, como a elevação da taxa de juros, e com o tempo devem se intensificadas.

A seguir temos um gráfico mostrando as variações mensais dos preços registradas pelo IPCA.

 

Grafico IPCA

 

 

 

Quero ser um economista

Eis o meu texto de despedida. Como estava muito atarefado com as atividades do estágio e da faculdade, o texto demorou um pouco para sair. A proposta inicial era fazer uma análise de crédito para o Brasil e tentar justificar, através de dados e teorias, o rebaixamento da nota de crédito, mas já fiz algo parecido aqui no blog em meu primeiro texto. Queria deixar algo mais do que uma análise em minha despedida, agora vou escrever para o blog De Gustibus Non Est Disputandum do professor Shikida e teremos muitas análises macro por lá. Queria compartilhar o que aprendi em minha breve passagem pelo NEPOM e o que aprendi até aqui em meu curso de Ciências Econômicas, que já está caminhando para o fim.

Muitas pessoas me perguntam o que faz um economista, onde pretendo trabalhar quando formar e coisas do tipo. Já prometi a mim mesmo que vou escrever essa resposta em um pedaço de papel e andar com ele no bolso. É difícil explicar o que faz um economista, antes mesmo de entrar para a faculdade eu ficava vendo uns vídeos na internet e lia algumas coisas para tentar entender um pouco do que se tratava o curso e as matérias, mas cada um falava uma coisa. Vi definições mais poéticas como “ciência social aplicada” até as mais engraçadas como “engenharia da sociedade”, mas desde que entrei na faculdade vi que era muito mais do que isso.

Inspirado por Frédéric Bastiat, pelo o que vi e pelo o que não vi até aqui, defino curso de economia como a “ciência daquilo que não se vê” e como Paulo sugere na carta aos Hebreus, acreditar naquilo que não se vê é o primeiro passo para se fazer grandes coisas.

O curso de economia vai exigir de você um nível e uma capacidade de abstração acima da média de qualquer outro curso. Olhar para um modelo IS-LM, coisa que se vê no primeiro período, e chegar a conclusões interessantíssimas a respeito de política monetária, olhar para uma caixa de Edgeworth e para os Teoremas de Bem-Estar Social e enxergar a pauta do atual governo em algumas curvas não é para qualquer um. Por isso estudamos Cálculo, para aprendermos a abstrair resultados de correlações complexas entre variáveis importantes e também História, para vermos algumas teorias interessantes que já foram propostas para explicar os fenômenos econômicos e outras nem tão interessantes assim, no mínimo você não repete algumas besteiras que já foram ditas no passado. Funções utilidade, Condições de Karush-Kuhn-Tucker, análise IS-LM-BP com Regra de Cramer, Séries de Tempo entre outros. A decisão de olhar para o quadro e ver integrais e derivadas misturadas com teorias e achar aquilo ali um saco ou enxergar ferramentas capazes de mudar o país é decisão do aluno, eu recomendo fortemente a segunda opção. Não há almoço grátis, quem estiver disposto a estudar economia vai ter que fazer um esforço e desapegar um pouco do sono, colocar a bunda na cadeira e estudar. Demanda foco, assim como tudo que se quer fazer bem feito na vida.

Ser economista é ter paixão pelo o que faz e não pelo o que se vê. Os meios determinam o fim de maneira menos poética do que os discursos mentirosos que já existiram ao longo da história. Não há nada de triste em nossa ciência, tolos são os que pensam que a eficiência não alcança a todos.

Se você pretende utilizar e conciliar as preciosas ferramentas do curso às finanças e trabalhar em uma instituição financeira, como eu fiz, é uma boa opção, mas se você pretende aprofundar mais seus conhecimentos teóricos e trabalhar com consultorias, desde empresas ou até mesmo para o governo, ou formar outros economistas, também é uma ótima opção. Você pode ir para a política, para a academia e para tanto outros lugares. O mercado paga bem para aqueles que têm capacidade de enxergar coisas que ninguém enxerga e o bom economista faz isso com louvor.

Tive sorte de encontrar uma excelente faculdade, com ótimos professores, dispostos a ensinar e a formar bons economistas. A carga horária de estudo é pesada, mas vale à pena. Recomendo que faça o mesmo, não tope qualquer porcaria na vida por comodidade, só os fracassados fazem isso.

Nem me formei ainda, mas estou tentando chegar lá da melhor forma que posso. A estrada até o diploma é longa, mas eu quero mais do que um diploma, quero ser um economista.

2ª Ata do Nepom

Na noite de 02 de abril de 2014, o Copom (Comitê de Politica Monetária) decretou aumento da taxa básica de juros da economia (SELIC) para 11% ao ano, repetindo um aumento de 0.25 p.p  ocorrido na última reunião. No dia 25 de março, o Nepom realizou uma apresentação similar a estrutura realizada no Copom. Conforme o comitê divulga o desfecho monetário à sociedade, o Nepom utiliza de instrumentos da Econometria para estimar com base nas distribuições empírica das decisões de alta e baixa do Copom, dada a distribuição acumulada das determinações passadas. Para fins de previsão, a probabilidade de ocorrência da decisão prevista do Copom é decomposto em dois outros panoramas derivativos do proposto (Neutro), segundo os quais há um cálculo algébrico do desvio padrão de um modelo auto regressivo da produção industrial para a determinação desses outros (Otimista e Pessimista). O resultado estimado convergiu que haveria variação de 0.5 p.p na taxa de juros em todos os cenários, justificado por um crescimento industrial acima das expectativas, o que consiste em um cenário inflacionário para um modelo do Nepom.

Fazendo uma análise setorial, o destaque da economia internacional foi de mais um corte do FED no Quantitative Easing, para 55 bilhões de dólares, aumentando a expectativa do mercado para uma elevação da taxa de juros norte americana. Já analisando o setor externo, a taxa de câmbio ( R$/US$ ) sofreu uma apreciação e permaneceu por volta de 2,32. Os aspectos  mais significantes  nesta área foram um déficit na balança comercial brasileira e um superávit significante na Conta Capital e Financeira, devido ao aumento de investimentos externos. Por fim, o Banco Central continuou com a intensa realização de swaps cambiais a fim de conter uma possível desvalorização do real.

A atividade econômica registrou um aumento de 1,26% em relação a dezembro passado. Este resultado ficou acima de todas as expectativas de mercado graças ao bom desempenho da indústria. Quanto ao mercado de trabalho a taxa de desemprego registrada, apesar de ter sido maior do que no período anterior, ainda está baixa, por volta de 4,8%.

Em relação ao setor público o governo anunciou meta de superávit primário de 1,9 % do PIB para 2014 devido ao não cumprimento da mesma no ano anterior. Já o déficit nominal teve o pior resultado desde novembro de 2009. A dívida pública federal obteve queda de 3,6% em janeiro, para R$ 2,04 trilhões. O mercado de crédito iniciou 2014 desaquecido, algo comum em inícios de ano. Destaque para a linha de crédito de recursos direcionados, que teve queda em suas concessões de 38.55% em comparação a dezembro de 2013.

O IPCA acumulado em 12 meses em fevereiro ficou em 5,68% e ficou acima dos 5,59% relativo a janeiro. O principal motivo dessa subida do índice se comparado ao mês anterior foram os aumentos de preços dos grupos de educação e da energia elétrica.

Com todos esses fatores o cenário atual é de uma inflação que persiste mesmo com os aumentos consecutivos da taxa SELIC.

 

Mais tempo no boteco, menos acidentes

Sim? Sim. Por que? Explico:

Theoretically, extended pub hours could either increase or decrease traffic accidents. Obviously, if people drink at a steady rate, they will usually become more intoxicated as the night progresses; extending pub hours could lead to more dangerous drivers. However, there are other ways that extended pub hours might plausibly reduce accidents. Without early pub closings, fewer pub patrons would make an additional drive to a second drinking location — such as to a party at a friend’s house. A later pub closing might also cause drinkers to drive home during hours with fewer cars are on the road.

Pois não é verdade? Existem, ceteris paribus, os dois efeitos. Qual deles prevalece? Lá no Reino Unido, um estudo recente aponta para o efeito que o leitor mais enamorado de uma cachaça gostaria de ler (quando sóbrio). Obviamente, não se está discutindo custos de saúde no longo prazo, etc.

O artigo usa a metodologia diff-in-diff (que você encontra no livro-texto de Stock & Watson, por exemplo) e, se entendi bem, controle sintético (veja, por exemplo, este artigo, que mostra evidências de que a revolução cubana piorou a economia do país, usando este método). Alunos de Econometria I (ou, alternativamente, de Econometria III) de nossa faculdade – que gostam de se embebedar – deveriam, após a ressaca, questionar seu professor sobre estes métodos.

Quando idéias têm sexo

O prof. Ronald O. Hillbrecht me recomendou este ótimo vídeo. Acho que qualquer um que estude Economia e/ou queira explicar a importância da nossa ciência para terceiros encontrará nestes dezesseis e poucos minutos muita informação. O Matt Ridley, que é o palestrante, tem um excelente livro (que ainda estou lendo) que é o The Rational Optimist. Quem tem um aplicativo do Kindle para celular (ou para o computador) pode comprar e ler o livro em qualquer lugar (além de tudo, é um livro barato).

Competitividade: visualizando alguns países

bis_exchange_rate

Pois é. O gráfico acima apresenta as taxas de câmbio reais efetivas calculadas pelo BIS (1994.01 – 2014.02). Acho que não estou enganado, mas já citei esta base de dados no blog. Eu não tive a oportunidade de checar se a base foi atualizada (aqui está, para os que quiserem continuar com o exercício), mas, de qualquer forma, há um erro na legenda do eixo vertical (que deveria ser apenas o valor do índice da taxa de câmbio real efetiva cuja base é 2010 = 100).

Embora as exportações e importações não dependam apenas do câmbio real, dá para se ter uma idéia parcial sobre a competitividade dos países, não?

 

A perda da aprovação de Dilma traz mais investimentos ao país

Uma nova pesquisa mostrou no fim do mês passado que a popularidade do governo Dilma caiu para 36%, ante 43% que foi divulgado no mês de dezembro. Esta é uma queda expressiva desde que começaram as reinvindicações populares sobre o governo vigente. Porém, índices que mostram a queda da preferência da presidente atual estão tendo grande relação com valorizações das ações brasileiras, além de apreciações repentinas do real.

No dia 18 de março deste ano rumores de que a presidente Dilma poderia não vencer as eleições fizeram com que as ações da Petróbras, empresa que perdeu metade do seu valor desde o início do governo atual, tivessem uma valorização de 3%.Após a divulgação da nova pesquisa , no dia 27 de março, que revelou queda acentuada na aprovação do governo PT, a Petrobrás subiu mais 8% .

Além da Petrobrás, outras empresas impulsionaram a alta da Ibovespa em 7,05% no mês de março. Ao saírem os resultados da pesquisa eleitoral Ibope, as ações das empresas estatais lideraram ganhos. A Eletrobras ON disparou com alta de 9,84% seguida pela Petrobrás citada anteriormente e pelo Banco do Brasil ON , que valorizou em 7,18%.

Além da valorização das ações brasileiras, o câmbio também valorizou com a saída da pesquisa sobre a aprovação da Dilma. Um dia antes da divulgação do resultado da pesquisa, a taxa de câmbio se encontrava em 2,31 e no dia seguinte o real teve uma apreciação significante e a taxa de câmbio foi para 2,28. Hoje, dia 8 de abril, o real se apreciou ainda mais e o câmbio fechou o dia em 2,18. Claro que existem outros fatores externos que tambem contribuem para esta depreciação do dólar, como por exemplo o aumento das taxas de juros brasileiras nos últimos meses, porém é só surgir rumores da queda do governo Dilma que investimentos estrangeiros aumentam significativamente rumo ao Brasil.

Nem mesmo o recente rebaixamento da nota de crédito pela Standard & Poor’s, foi suficiente para aumentar a desconfiança externa e reduzir os investimentos e a entrada de dólares no Brasil.

São vários os motivos pela aversão estrangeira ao governo atual. Os principais deles são a descrença na capacidade do governo em cumprir com as metas fiscais, o mal uso político das empresas estatais e também o baixo investimento do governo em incentivos para atrair investimentos estrangeiros, além de assegurar pouco as metas de inflação. Inclusive neste ano a expectativa é que a infação no país seja bastante superior á meta.

Com todo esse cenário de um governo que não garante muita estabilidade, inflação baixa e crescimento alto, quanto mais brasileiros desaprovam a presidem cia atual, mais os investidores festejam e trazem investimentos ao Brasil. Agora resta esperar para ver se após a Copa do Mundo, com as eleições, os investidores festejarão novas oportunidades de investimentos no Brasil ou se eles se tornarão descrentes em relação ao futuro do país.

 

 

IBOPE

 

As variações mensais…as variações mensais…

pim_variacao ipca_mensal

Os gráficos nos contam uma história. Talvez ela comece assim:

“- Tens algo a dizer sobre isto, professor?” Perguntou a pobre garotinha inocente, perdida na floresta das árvores mantegométricas.

“- Não, minha cara. Só me assusta a cegueira dos que deixaram a floresta ficar assim, desolada”.

Eu sei, o IPCA bateu em 0.92% ao mês. Não é algo bonito de se ver. O Banco Central custou a fazer o dever de casa – mesmo sabendo as respostas das questões da prova… – e agora a população paga o pato de uma política que, sim, convenhamos, ela escolheu e abraçou. Ninguém pode se dizer enganado pelo governo. A inocência – se alguma há – é só a da garotinha hipotética. Os demais, façam sua penitência.

Não sei se a história tem final feliz porque, sabe como é, ela não está escrita ainda. Ela está em andamento e depende de suas escolhas nas eleições. Sim, parcialmente, você tem culpa neste resultado. Não culpe os tomates. Eles apenas dão sabor às saladas. Tomates não matam pessoas. Pessoas matam pessoas: basta fazer uma política econômica que dê as costas para os livros-texto. Eu bem me lembro dos anos 80, sei como é. Mas eu aprendi a lição. Lamentavelmente, não sou eu quem comanda a política econômica. Pensando bem, melhor assim.

Cobb-Douglas: há não sei quantos anos melhorando nossa compreensão da realidade

In fi gure 5 we present the monthly CPI, SPI and the DPI index, where the DPI is calculated using the procedure described in the last section and the SPI is the standard price index when consumer utility function is Cobb-Douglas.

Como é? Cobb-Douglas? E este SPI, o DPI e o CPI? O que são? Eu conto para vocês: dois pesquisadores do IBRE/FGV, ano passado, estavam afim de entender melhor a inflação e, bem, eis o resumo do texto:

Measuring Dynamic Inflation in Brazil
Angelo Polydoro (IBRE/FGV) Vagner Ardeo (IBRE/FGV)
April 25, 2013
Abstract
In this article we propose and construct a dynamic measure of consumer cost of living for Brazil. Following the methodology proposed by Reis (2008), our baseline model starts from a representative agent who lives for many periods, which is forward looking and decides each period between consumption 14 types of nondurable goods and services, durable goods and two nancial assets. This Dynamic Price Index (DPI) takes into account the rate of return of savings deposit and equity. Consumption of Durable and non-durable goods are considered as separate decisions, and are treated accordingly. We construct the monthly DPI for Brazil from 2002 to 2011 using data from the Brazilian CPI calculated by the Brazilian Institute of Economics of the Getulio Vargas Foundation. The calculated monthly variation of the DPI is more volatile, less persistent and less serially correlated than the CPI. The accumulated di erence between the CPI and the DPI over this 11-year period is 21%.

Por que olhar para um índice de preços dinâmico? Bem deixemos que os autores nos digam:

The basic framework for Consumer Price Indexes (CPI’s) based on the economic approach is a representative consumer who lives for one period, faces no uncertainty about prices, preferences or income, and decides on which goods and services to allocate his budget. Konus (1924) was the first to defi ne a Cost of Living Price Index, henceforth COLI, as the compensating variation in response to price changes to keep the initial welfare level (utility) fixed.

Como é? Nível de utilidade fixo? Onde será que você, aluno de Análise Microeconômica III, viu isto? Mas ainda não deixamos os autores nos dizerem porque é importante o DPI. Aí vai (mas leia o texto para ter uma idéia melhor, ok?):

To mitigate these dynamic problems in the static COLI framework, Reis (2005) proposed a Dynamic Cost of Living Price Index, DPI for short, based on the modern theory of consumption by Deaton (1992). It assumes a consumer who lives for many periods and is subjected to shocks in the price of goods and services he consumes. The DPI is then the compensating variation that keeps the lifetime utility unchanged not the one period stage utility. Besides solving the intertemporal substitution bias for goods, by incorporating intertemporal prices, a dynamic measure of in ation provides a unifying framework to incorporate the price of fi nancial instruments in the cost of living.

Então, as vantagens: hipóteses mais adequadas à modelagem de um consumidor que não nasce e morre em um período. Veremos isto logo, logo, após as provas. Não apenas isto, como, dizem os autores, incorpora-se também o papel de ativos financeiros nesta história toda. Promissor, não?

Sim, eu fiquei com vontade de ler mas estou cheio de coisas para fazer e a Maria prometeu publicar um texto aqui hoje. Então, deixa eu continuar meu trabalho.

p.s. no livro de memórias do George Stigler (Memórias de um Economista de Chicago, ed. Ortiz, 1991), no cap.12, você descobre que Paul Douglas era um quaker - e depois um vereador – que teve uma troca de cartas extremamente deselegante com Frank Knight, o famoso professor da University of Chicago e figurinha carimbada de alguns grupos mais religiosos (que não acreditam ma metodologia econômica tal como a aprendemos e a ensinamos, devida ao grande Milton Friedman e, claro, à Karl Popper).

O que os preços (e sua dispersão) nos revelam sobre as preferências dos consumidores?

A dispersão de preços online: a fronteira final

O mesmo produto, com preços diferentes? Não por muito tempo, dizem-nos os livros-textos básicos. Afinal, vale a lei do preço único, certo? Evidentemente, custos de transação e outras variáveis podem atrapalhar esta convergência dos preços. Por exemplo, digamos que os consumidores são heterogêneos em algumas dimensões relacionadas ao fenômeno da compra. Ficou obscuro? Exemplifico: imagine que consumidores sejam diferentes na preferência do método de pagamento online. Pois é. Agora e se você tivesse acesso a uma base de dados como a de sites de busca de preços? O que poderia fazer? Eu te digo: você poderia descobrir mais sobre as estratégias das firmas e também sobre as preferências dos consumidores. Aliás, você poderia pesquisar estas e outras perguntas com a dispersão dos preços encontrada nesta base de dados.

Alguém já fez isto, certo?

Claro. É o que fizeram Mizuno & Watanabe (2013): utilizaram uma base de dados imensa, do site kakaku.com (basicamente um site de comparação de preços japonês) para fazer a pesquisa que todo professor de microeconomia gostaria de ter feito (ou pelo menos uma das pesquisas que gostaríamos de ter feito). Eis o resumo (negritos por minha conta):

Why are product prices in online markets dispersed in spite of very small search costs? To address this question, we
construct a unique dataset from a Japanese price comparison site, which records price quotes offered by e-retailers as well as customers’ clicks on products, which occur when they proceed to purchase the product. The novelty of our approach is that we seek to extract useful information on the source of price dispersion from the shape of price distributions rather than focusing merely on the standard deviation or the coefficient of variation of prices, as previous studies have done. We find that the distribution of prices retailers quote for a particular product at a particular point in time (divided by the lowest price) follows an exponential distribution, showing the presence of substantial price dispersion. For example, 20 percent of all retailers quote prices that are more than 50 percent higher than the lowest price. Next, comparing the probability that customers click on a retailer with a particular rank and the probability that retailers post prices at a particular rank, we show that both decline exponentially with price rank and that the exponents associated with the probabilities are quite close. This suggests that the reason why some retailers set prices at a level substantially higher than the lowest price is that they know that some customers will choose them even at that high price. Based on these findings, we hypothesize that price dispersion in online markets stems from heterogeneity in customers’ preferences over retailers; that is, customers choose a set of candidate retailers based on their preferences, which are heterogeneous across customers, and then pick a particular retailer among the candidates based on the price ranking.

Repare nos dois trechos. No primeiro, percebemos que os autores adotaram um método melhor, tecnicamente falando. Afinal, olhar apenas para desvios-padrão não nos dá tanta informação sobre a distribuição dos preços. Já no segundo trecho você percebe que existe uma heterogeneidade nas preferências dos consumidores com respeito aos vendedores.

Estatística, Econometria, Teoria Microeconômica: elas sempre nos perseguem…

Para que serve aquela história do seu professor de Estatística? Veja novamente o primeiro trecho que destaquei aí em cima: os autores estimaram que a melhor distribuição estatística para a amostra é uma distribuição exponencial. Você se lembra das propriedades da bichana? Não? Pois deveria.  Nestas horas, meu amigo, minha amiga, a gente se arrepende de não ter prestado atenção às aulas de Estatística. Sorte que existe a internet (embora alguns alunos lobotomizados só a consigam usar para troca de mensagens bovinas…) e você pode consultar algum bom site de Estatística.

Ah, e não se esqueça do professor de Econometria, que lhe falou um dia sobre critérios AIC e BIC. Caso você tenha lido o artigo (ele tem a imensa quantidade de seis páginas: outra grande vantagem do texto para nós, apressados…), notará que os critérios foram importantes na escolha entre quatro especificações (das quais surgiu a exponencial).

Bom, outro ponto: a localização geográfica do vendedor importa. Mesmo que as vendas sejam online, lojas localizadas fisicamente em grandes centros são vistas de forma diferente pelos consumidores. Os autores levantam a hipótese de que isto poderia ter a ver com a possibilidade que consumidores atribuiriam a visitas às lojas para soluções de problemas (mas, ok, é uma hipótese meio solta no artigo). Além disso, a avaliação dos consumidores, como era de se esperar, é importante, como a gente esperaria mesmo. Como é que os autores fazem isto? Bem, eles calculam o valor da marca (brand value) a partir dos dados.

Honestamente? Acho uma pesquisa interessantíssima. Como é que alguém, por exemplo, que fala de marketing,  é capaz de dizer que não vê valor em pesquisas como esta? Não tem jeito. Análise de demanda é algo muito mais interessante do que parece à primeira vista.

Para os leitores que estudam Teoria do Consumidor no momento, percebam que ter preços em mãos nada mais é do que estudar a preferência revelada dos consumidores. Genial, não?

 

“Clicar ou não clicar…eis a questão!”

O povo do Nepom se esqueceu…

…mas eu conto para vocês: nosso modelo previu que o Copom aumentaria a Selic e foi isto que aconteceu. Imagino que o grupo vai se reunir após as provas e redigirá um texto que será a nossa Ata do Nepom. Da última vez ficou a cargo do Arthur, mas não vejo porque todos não deveriam ajudar na redação da mesma. Afinal, não é para isso que fazemos apresentações em público? Para dizer o que achamos que o Copom fará e o porquê?

Então, vamos aguardar.

“Nossa meta é que os membros do Nepom façam uma ata”.